Clima para a soja ainda não ameaça potencial produtivo da safra nova, mas sacrifica janelas para milho safrinha 25

Publicado em 03/10/2024 11:22 e atualizado em 03/10/2024 13:09
Matheus Pereira - Diretor da Pátria Agronegócios
Chuvas previstas para segunda quinzena de outubro precisam ser frequentes e volumosas para equilibrar as condições dos solos e permitir que sementes expressem seu potencial produtivo. Mercado em Chicago tende a seguir volátil.

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O mercado da soja na Bolsa de Chicago deverá seguir volátil diante da nova safra do Brasil em andamento, sendo este o fator ainda central para o caminhar dos preços, apesar de novas notícias surgirem no radar que vão bem além dos fundamentos. Os players mantêm suas atenções sobre os modelos climáticos e monitorando as chuvas que deverão chegar ao Brasil na segunda metade de outubro. 


De acordo com as estimativas da Pátria Agronegócios, o plantio da brasileiro deve alcançar perto de 4% da área até o final desta semana e para que deslanche melhor precisa de chuvas não só mais abrangentes, como volumosas e frequentes para o reequilíbrio das condições do solo, permitindo que as sementes possam expressar seu potencial produtivo. 

Além disso, as preocupações estão se agravando ainda sobre a janela para a segunda safra de milho 2025. "Em ciclos regulares, com o plantio da soja acontecendo na segunda quinzena de outubro, começo de novembro, já são momentos no Centro-Oeste brasileiro que sacrificam a janela ideal para o milho. Então, muito cuidado", afirma o diretor da Pátria, Matheus Pereira. As condições, todavia, ainda não comprometem o potencial produtivo da safra 2024/25 de soja. 

Para o Rio Grande do Sul, o analista ainda destacou suas preocupações com o excesso de chuvas que acomete o estado neste momento, ao passo em que os modelos climáticos já sinalizam um padrão de chuvas abaixo da média entre novembro e dezembro para o estado que pode preocupar. 

Os mapas abaixo mostram as condições de chuvas esperadas para três períodos nos próximos 15 dias, das perspectivas dos modelos europeu - à esquerda - e americano - à direita:

Mapas Pátria (1)
Mapas: Pátria Agronegócios

Na sequência, os mapas já trazem previsões de mais longo prazo, com a variação pluviométrica esperada de novembro de 2024 a junho de 2025. No entanto, há pontos de atenção sobre este intervalo. 

"Esses mapas estão sofrendo muitas alterações neste ano. No ano passado, tínhamos uma convergência muito grande entre oceanos - que indicava um El Niño - e a atmosfera que já se comportava sobre um aquecimento dos oceanos. Este ano, há muita distorção, porque tínhamos oceanos mais quentes, em especial o Nino 3.4, e somente há alguns meses entrou em neutralidade. Mas, a atmosfera ainda está se comportando com um padrão de oceanos ainda mais quentes porque todos os oceanos estão mais quente, somente esta região do Nino 3.4 que está sob neutralidade. Então, a ressalva é de que estes mapas podem sofrer grandes mudanças, como já sofreram. Quando olhávamos há dois, três meses, se observava muita seca, parecia ser um novo El Niño, e agora já melhorou". 

Mapas Pátria (2)
Mapas: Pátria Agronegócios
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Por:
Carla Mendes | Instagram @jornalistacarlamendes
Fonte:
Notícias Agrícolas

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1 comentário

  • QUINCAS BERRO D'ÁGUA Rondonopolis - MT

    Bom dia pessoal. Nosso Senhor Jesus Cristo deixou vários mistérios que nós nunca iremos desvendar. A paz do Senhor esteja com todos vocês. Mas existem mistérios que a capacidade humana é capaz de desvendar, como o fato da soja em plena safra norte americana estar com os preços firmes, e não só firmes mas em alta nos contratos futuros 2025. Ontem recolhi dados da Secex, da Conab, do USDA e da nossa gloriosa Abiove. Contem ironia; A dificuldade é entender por que com uma produção anual de 394,8 mi de ton e consumo mundial de 393,3 mi de ton, segundo o USDA, restam 112.3 mi de ton de estoque no mundo inteiro. Primeiro coloco tudo nos devidos lugares, a safra americana ocorre de 1 de setembro a 31 de agosto. A brasileira de 1 de janeiro a 31 de dezembro. A argentina e paraguaia entra na mesma data da safra brasileira. Ainda tem a chinesa que por enquanto estou desconsiderando. Ou melhor, está embutida na mesma data da safra brasileira. A desconsideração é portanto apenas em relação ao ano safra. Uma coisa já ficou clara para mim, a Abiove está usando os dados do USDA e não da Conab. E usando os dados da Abiove no ano safra do USDA já foram exportadas 101,5 mi de ton e processadas mais de 50 mi de ton de soja no Brasil. até 1 setembro de 2024. Lembrando pessoal que isso é uma análise de dados, e que os dados podem estar falsificados. Disse isso por que na minha análise isso explica a manutenção dos preços em chicago com contratos futuros, 2025, com preços mais altos que agora. Evidente que existem estoques no Brasil, nos armazéns da dona Abiove logicamente. Ainda tenho que esperar o próximo relatório da dona Conab, para ver qual será a mágica, qual o coelho que irão tirar da cartola. Digo isto por que eles estão com uma previsão de 92 mi de exportação de soja brasileira no ano safra jan-dez. Só que até o final de setembro já foram exportadas quase 90 mi de ton, com consumo estimado em mais de 55 mi de ton para o mesmo ano safra. É possível que nos últimos 3 meses desse ano, exportemos mais uns doze mi de toneladas, o que eleva o número para mais de 102 mi de ton de exportação, com processamento de 55 mi de ton, a dona Conab terá que fazer uma de suas mágicas para fechar as contas.

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