Juros futuros fecham em alta em dia de ata do Copom
Por Fabricio de Castro
SÃO PAULO (Reuters) - Após oscilarem em baixa durante a manhã, as taxas dos DIs ganharam força e se firmaram em alta durante a tarde, com o mercado avaliando que a ata do último encontro do Copom trouxe uma visão dura para o cenário de inflação, em um dia marcado ainda pela queda firme do dólar ante o real.
No fim da tarde, a taxa do DI (Depósito Interfinanceiro) para janeiro de 2026 -- um dos mais líquidos no curto prazo -- estava em 15,125%, ante o ajuste de 15,024% da sessão anterior, enquanto a taxa para janeiro de 2027 marcava 15,03%, em alta de 14 pontos-base ante o ajuste de 14,889%.
Entre os contratos mais longos, a taxa para janeiro de 2031 estava em 14,83%, ante 14,737% do ajuste anterior, e o contrato para janeiro de 2033 tinha taxa de 14,82%, ante 14,731%.
No início do dia o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central divulgou a ata do encontro da semana passada, quando subiu a taxa Selic em 100 pontos-base, para 14,25% ao ano, sinalizando a intenção de promover novo aumento em maio -- desta vez de menor intensidade.
No documento, o BC citou a elevada incerteza e reforçou que o ciclo de alta de juros não está encerrado. A ata pontuou ainda que “o cenário de convergência da inflação à meta torna-se mais desafiador com expectativas desancoradas para prazos mais longos e exige uma restrição monetária maior e por mais tempo do que outrora seria apropriado”.
Para profissionais ouvidos pela Reuters, a ata foi "hawk" (dura com a inflação), o que contribuiu tanto para a queda do dólar ante o real quanto para a baixa das taxas dos DIs durante a manhã.
“A ata foi mais dura, reforçando o comunicado. O BC explicou seu racional e, para mim, conduziu (as apostas) mais para os 75 (pontos-base) de alta em maio que para os 50”, avaliou Laís Costa, analista da Empiricus Research.
“O mercado estava cético se a nova administração daria 75, mas pelo que foi escrito eles parecem dispostos a isso”, acrescentou Costa, em referência ao fato de que o comando do BC é agora de Gabriel Galípolo, indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “Isso acalma um pouco os ânimos e por isso a curva fecha um pouco.”
Outros profissionais ouvidos pela Reuters chamaram a atenção para a queda do dólar ante o real na esteira da divulgação da ata, um fator que colocava pressão de baixa sobre as taxas dos DIs.
A queda dos rendimentos dos Treasuries no exterior era mais um fator para a baixa das taxas futuras no Brasil. Às 11h41, a taxa do DI para janeiro de 2027 atingiu a mínima de 14,81%, com recuo de 8 pontos-base ante o ajuste da véspera.
À tarde, porém, as taxas recuperaram força e se firmaram em alta, com agentes atribuindo a virada a “movimentos normais do dia”, em um cenário ainda de muita incerteza sobre o futuro da Selic.
“A ata do Copom não trouxe muita convicção do que vai acontecer. A gente sabe que devemos esperar mais altas, mas não sabemos até onde isso vai”, pontuou Victor Furtado, head de Alocação da W1 Capital, ao justificar o aumento de prêmios na curva.
Operador da mesa de renda fixa de um banco de investimentos também citou fluxo de estrangeiros "comprando taxa" nos DIs.
Na segunda-feira -- portanto, antes da ata --, o mercado de opções de Copom da B3 precificava 67% de probabilidade de alta de 50 pontos-base da Selic em maio, 17% de chances de elevação de 75 pontos-base, 9% de probabilidade de alta de 25 pontos-base, 3,5% de chances de manutenção e apenas 3% de chances de nova alta de 100 pontos-base.
Para a decisão seguinte, de junho, as apostas estão bem equilibradas: 34% de chances de alta de 25 pontos-base, 34% de possibilidade de alta de 50 pontos-base e 27% de chances de manutenção.
“Acreditamos em alta de 75 em maio e de 50 em junho”, disse nesta terça-feira Furtado, da W1 Capital. “A chance de isso acontecer é bem alta.”
Pela manhã, sem impactos na curva, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, lamentou que a reforma tributária aprovada no Congresso Nacional tenha ampliado as exceções para pagamento de impostos, mas disse acreditar que isso poderá ser reavaliado até 2032, quando termina o prazo de transição.
No exterior, no fim da tarde as taxas dos Treasuries seguiam em baixa, após a divulgação de dados fracos sobre a confiança do consumidor e em meio às dúvidas sobre a aplicação de tarifas pelo governo dos EUA no início de abril.
Às 16h44, o rendimento do Treasury de dois anos -- que reflete apostas para os rumos das taxas de juros de curto prazo -- tinha queda de 3 pontos-base, a 4,011%. Já o retorno do título de dez anos --referência global para decisões de investimento -- caía 2 pontos-base, a 4,311%.
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