Especialista detalha caso de influenza aviária na Colômbia; cepa tem alta patogenicidade e já matou 47 milhões de aves nos EUA este ano
O pesquisador da Embrapa Suínos e Aves, Luizinho Caron, explica com mais detalhes as causas da disseminação e as ameaças à avicultura da América do Sul com a detecção de casos de influenza aviária em duas granjas pequenas na Colômbia. O Instituto Agropecuário Colombiano (ICA) confirmou que no último dia 19 foi detectada a presença de dois focos de Influenza Aviária Altamente Patogênica no município de Acandí, no departamento de Chocolate. A informação parte de uma nota oficial da entidade governamental colombiana.
"É uma cepa nova para nós da América, não tão nova no mundo. É uma cepa que causou danos severos, inicialmente, em 1998, até começo dos anos 2000, em alguns países da Ásia. Naquela época, a doença dizimou totalmente a avicultura por onde passou, e inclusive alguns destes países tiveram que reiniciar alguns anos depois desta crise com uma avicultura completamente diferente do que era antes. Passou a ser modernizada; muitas granjas pequenas, com baixa biosseguridade ficaram para trás, e partiu-se para grandes ou granjas gigantes e com muita biosseguridade devido ao aprendizado com a crise da doença no final da década de 1990", explica Caron.
Ele diz ainda que esta cepa H5N1 vista em 1998 tem uma característica de alta virulência, que causa mais mortalidade em aves domésticas, mas são muito pouco letais em aves silvestres, mas há casos, sim, de mortandade em aves selvagens, diz o pesquisador.
"Esse vírus andou lentamente, chegou à África, ao norte da Europa, mas até hoje, além de algum gene ou outro, nunca tinha sido encontrado este vírus completo na América, como aconteceu em 2020 no norte do Canadá. A partir de então, a doença se disseminou pelo Canadá e Estados Unidos, causando inclusive muita mortandade de perus, gerando escassez desta proteína que é muito consumida nestes países, além do desabastecimento de ovos", pontua.
No verão, este vírus deveria ter reduzido a disseminação, conforme aponta o especialista, mas está aumentando novamente no hemisfério norte neste outono, e deve ampliar com a chegada do inverno e a migração das aves.
"Geralmente, os nosso vírus de influenza da América do Sul dificilmente se misturam com os da América Central; os da América do Norte têm mais facilidade em se misturar com os da Central. Mas como este vírus é novo, não se sabe como ele vai se comportar, então é bom estar atento e manter os sistemas de biosseguridade em boas condições", reitera.
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