Excesso de chuvas com avanço do El Niño acende alerta para a safra de trigo no Sul do Brasil
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O fortalecimento do El Niño previsto para o segundo semestre de 2026, confirmado pelo mais recente boletim do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), aumenta a preocupação com o desenvolvimento da safra de trigo no Sul do Brasil. A expectativa de chuvas acima da média sobre os principais estados produtores pode comprometer o potencial produtivo da cultura, repetindo um cenário observado durante o último evento de forte intensidade do fenômeno.
Segundo o Inmet, o El Niño deve ganhar força nos próximos meses e pode atingir a categoria de "muito forte" entre a primavera e o início do verão. Para a Região Sul, a previsão indica maior frequência de temporais e volumes de chuva acima da média, condição que exige atenção do setor agrícola.
Para o analista de culturas da EarthDaily, Felippe Reis, o histórico dos últimos eventos de El Niño serve como referência para o comportamento esperado da safra.
"Quando olhamos para o último El Niño de muita intensidade, em 2015, tivemos excesso de chuvas nas principais regiões produtoras de trigo do país, como Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná. Esse excesso foi prejudicial para a cultura. Em 2014, quando o fenômeno começou a ganhar intensidade, também tivemos esse problema", explica.
De acordo com ele, o cenário atual já apresenta sinais semelhantes, principalmente no Rio Grande do Sul, onde os volumes de chuva têm sido mais elevados desde julho.
Atenção para doenças e perda de produtividade
Embora a água seja essencial para o desenvolvimento da lavoura, o excesso pode provocar uma série de impactos negativos durante o ciclo do trigo.
Segundo Reis, a elevada umidade favorece a ocorrência de doenças fúngicas, além de reduzir a incidência de radiação solar, fator indispensável para o desenvolvimento das plantas.
"A planta precisa de água, mas também precisa de sol para se desenvolver. O excesso de chuvas pode facilitar a disseminação de doenças fúngicas e limitar a radiação solar, prejudicando o potencial produtivo da cultura."
Diante desse cenário, o especialista destaca a importância do monitoramento das condições climáticas nas próximas semanas.
"Vamos precisar acompanhar de perto agosto e setembro para entender como será a produtividade do trigo. Quanto antes conseguirmos identificar possíveis problemas, maior será a capacidade de antecipar uma eventual quebra de safra."
Sul concentra a maior parte da produção nacional
A preocupação é reforçada pela concentração da produção brasileira de trigo na Região Sul. Segundo o analista, apenas Rio Grande do Sul e Paraná respondem por aproximadamente 80% da safra nacional, tornando as condições climáticas nesses estados determinantes para a oferta brasileira do cereal.
Caso a previsão do Inmet se confirme, o comportamento das chuvas durante o restante do inverno e o início da primavera será decisivo para o desempenho da cultura e para o abastecimento do mercado interno.
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