Açúcar segue em alta nas bolsas internacionais com oferta global mais apertada
![]()
Os preços do açúcar seguem em alta nas principais bolsas internacionais nesta terça-feira (11), mantendo o movimento de valorização observado nas últimas sessões. O mercado encontra suporte nas perspectivas de menor oferta global, especialmente diante da queda na produção brasileira e europeia, enquanto as condições climáticas na Índia e os possíveis impactos do El Niño continuam no radar dos investidores.
Em Nova Iorque, por volta das 11h40 (horário de Brasília), o contrato outubro era negociado a 16,59 cents de dólar por libra-peso, alta de 9 pontos. O contrato março/27 avançava 13 pontos, cotado a 17,57 cents por libra-peso.
Em Londres, o contrato outubro do açúcar branco era comercializado a US$ 508,50 por tonelada, alta de 240 pontos. O contrato dezembro avançava 900 pontos, negociado a US$ 507,00 por tonelada.
Oferta global mais restrita
A perspectiva de queda na produção mundial continua dando sustentação às cotações. Na Europa, a combinação de seca e temperaturas elevadas deve reduzir a produção de açúcar da União Europeia e do Reino Unido para 14,98 milhões de toneladas neste ano, o menor volume em 11 anos, segundo dados da S&P Global Energy.
No Brasil, maior produtor mundial de açúcar, os dados mais recentes também apontam para uma oferta menor. Segundo a União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica), as usinas do Centro-Sul produziram 3,903 milhões de toneladas de açúcar em junho, queda de 26,3% em relação ao mesmo mês da safra anterior.
A redução da produção brasileira reforça a percepção de menor disponibilidade da commodity no mercado internacional.
Déficit global no radar
Desde que atingiram a mínima em cerca de cinco meses, em 30 de julho, os preços do açúcar vêm acumulando ganhos diante da perspectiva de um mercado mais apertado na safra 2026/27.
A Covrig Analytics passou a projetar um déficit global de 300 mil toneladas na próxima temporada, revertendo a previsão anterior de superávit de 100 mil toneladas.
Outras consultorias também revisaram suas estimativas. A Green Pool Commodity Specialists elevou sua projeção de déficit para 3,3 milhões de toneladas, ante 1,76 milhão de toneladas anteriormente. Já a StoneX passou a prever um déficit de 1,7 milhão de toneladas, acima dos 550 mil toneladas estimados anteriormente.
As revisões reforçam a expectativa de que a oferta mundial poderá ficar mais ajustada ao longo da próxima safra.
Índia e El Niño seguem no radar
As condições climáticas na Índia, segundo maior produtor mundial de açúcar, continuam entre os principais fatores acompanhados pelos investidores.
Em 31 de julho, o Departamento Meteorológico da Índia informou que as chuvas de monção previstas para agosto e setembro provavelmente ficarão abaixo do normal. O Ministério de Ciências da Terra também alertou que a temporada deste ano pode ser a mais fraca em 11 anos.
O mercado ainda acompanha os possíveis efeitos do El Niño sobre a produção mundial. O fenômeno tende a reduzir as chuvas em importantes regiões produtoras, como Brasil, Índia e Tailândia, aumentando os riscos para a oferta global.
Mercado interno
No mercado físico paulista, as cotações do açúcar cristal branco seguem em alta neste início de agosto e alcançaram R$ 96 por saca de 50 quilos, patamar que não era registrado desde meados de maio.
Segundo o Cepea, a liquidez aumentou, embora os compradores ainda mantenham uma postura seletiva diante dos preços mais elevados nos mercados interno e externo.
Pesquisadores do centro destacam que a menor produção de açúcar no Centro-Sul tem contribuído para sustentar as cotações, mesmo com o aumento do volume de cana processada e a melhora na qualidade da matéria-prima.
0 comentário
Açúcar recua nas bolsas internacionais após atingir máximas de um ano
Açúcar volta a subir nas bolsas internacionais nesta quinta-feira
Açúcar fecha em baixa com realização de lucros, mas oferta global preocupa
Produção de açúcar nos EUA deve cair, enquanto importações devem aumentar, prevê USDA
Açúcar avança nas bolsas internacionais e contratos renovam máximas nesta quarta-feira
Açúcar avança e atinge máximas de 10 meses em Nova Iorque e 15 meses em Londres