Açúcar amplia alta e atinge máximas de até 15 meses nas bolsas internacionais
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Os preços do açúcar ampliaram a alta nesta segunda-feira (10) nas principais bolsas internacionais, sustentados pelas perspectivas de uma oferta global mais restrita. O movimento levou as cotações a novos patamares, com o açúcar bruto em Nova Iorque atingindo a maior cotação em 10 meses e o açúcar branco em Londres alcançando o maior nível em 15 meses.
Na Bolsa de Nova Iorque , o contrato outubro fechou a 16,47 cents de dólar por libra-peso, alta de 2 pontos. Em Londres, o contrato outubro do açúcar branco encerrou a sessão a US$ 506,10 por tonelada, avanço de 270 pontos.
Oferta global mais restrita
A perspectiva de queda na produção mundial continua dando sustentação aos preços. Na Europa, a combinação de seca e temperaturas elevadas deve reduzir a produção de açúcar da União Europeia e do Reino Unido para 14,98 milhões de toneladas neste ano, o menor volume em 11 anos, segundo dados da S&P Global Energy.
No Brasil, maior produtor mundial de açúcar, a produção também apresentou forte retração. Dados divulgados pela União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (UNICA) mostraram que as usinas do Centro-Sul produziram 3,903 milhões de toneladas em junho, queda de 26,3% na comparação com o mesmo mês da safra anterior.
O resultado reforça a percepção de menor disponibilidade da commodity no mercado internacional.
Déficit global entra no radar
Desde que atingiram a mínima em cerca de cinco meses, em 30 de julho, os preços do açúcar vêm acumulando forte valorização diante da perspectiva de um mercado mais apertado em 2026/27.
A Covrig Analytics passou a projetar um déficit global de 300 mil toneladas na próxima safra, revertendo a previsão anterior de superávit de 100 mil toneladas.
Outras consultorias também revisaram suas estimativas. A Green Pool Commodity Specialists elevou sua projeção de déficit para 3,3 milhões de toneladas, ante 1,76 milhão de toneladas estimado anteriormente. Já a StoneX passou a prever um déficit de 1,7 milhão de toneladas, acima dos 550 mil toneladas projetados em maio.
As revisões reforçam a percepção de que a oferta poderá não ser suficiente para atender à demanda global na próxima temporada.
Índia e El Niño mantêm preocupação com oferta
As condições climáticas na Índia, segundo maior produtor mundial de açúcar, continuam entre os principais fatores acompanhados pelo mercado.
Em 31 de julho, o Departamento Meteorológico da Índia afirmou que as chuvas de monção previstas para agosto e setembro provavelmente ficarão abaixo do normal. O Ministério de Ciências da Terra também alertou que a temporada deste ano pode ser a mais fraca em 11 anos.
A temporada de monções ocorre entre junho e setembro e é fundamental para o desenvolvimento da cana-de-açúcar no país. Com isso, eventuais perdas de produtividade podem aumentar a pressão sobre a oferta mundial.
O mercado também monitora os possíveis efeitos do El Niño sobre a produção global. O fenômeno tende a reduzir as chuvas em importantes regiões produtoras, como Brasil, Índia e Tailândia, elevando os riscos para a oferta da commodity.
Em julho, o Centro de Previsão Climática dos Estados Unidos indicou que o atual episódio de El Niño poderia estar entre os mais fortes das últimas décadas. Na Índia, o serviço meteorológico reduziu sua previsão para as chuvas da temporada de monções para 90% da média histórica, ante 92% projetados anteriormente.
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