China lança soja em guerra comercial, mas pode dar tiro no próprio pé
Por Josephine Mason e Hallie Gu
PEQUIM (Reuters) - A China terá dificuldades para substituir a oferta de soja dos Estados Unidos depois de implementar uma tarifa adicional de 25 por cento sobre os embarques norte-americanos, provavelmente causando graves problemas financeiros às empresas domésticas, disseram analistas e executivos da indústria de ração animal.
O maior importador mundial de oleaginosas vai impor as tarifas sobre a soja e outros 105 produtos norte-americanos, afirmou a emissora estatal CCTV nesta quarta-feira, em uma esperada retaliação após as ações comerciais agressivas de Washington.
A soja é considerada uma das armas mais poderosas no arsenal comercial de Pequim, porque uma queda nas exportações para a China prejudicaria Iowa e outros Estados agrícolas que apoiaram o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A soja foi o maior item de exportação agrícola dos EUA para a China no ano passado, no valor de 12 bilhões de dólares.
A China compra cerca de 60 por cento da soja comercializada globalmente para alimentar a maior indústria pecuária do mundo. Fábricas esmagam a oleaginosa para fazer farelo --um ingrediente essencial para a alimentação animal.
"Simplesmente não há soja suficiente no mundo fora dos EUA para atender às necessidades da China", disse Mark Williams, economista-chefe para Ásia na Capital Economics.
"Quanto à redução da dependência de importações, existem alguns opções, mas nenhuma tem a mágica de prejudicar os agricultores dos EUA sem gerar custos internamente."
O Brasil forneceu metade das importações de soja da China no ano passado, enquanto os Estados Unidos enviaram cerca de 33 milhões de toneladas, cerca de um terço do total. Substituir essas toneladas dos EUA não será tarefa fácil.
As colheitas na Argentina, terceiro maior produtor mundial, foram atingidas por uma seca, reduzindo as exportações argentinas para menos de 7 milhões de toneladas na temporada 2017/18, a menor em uma década, de acordo com o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA).
Fora do Brasil, dos Estados Unidos e da Argentina, cerca de 17 milhões de toneladas de soja vêm de um punhado de países.
A China cultiva apenas cerca de 14 milhões de toneladas de soja, principalmente para produzir alimentos para consumo humano.
(Por Hallie Gu, Josephine Mason e Dominique Patton)
0 comentário

Prêmios da soja sobem no BR em semana marcada pela perda dos US$ 10/bushel em Chicago

Exportações de soja batem recorde histórico em março

Retaliação da China sobre produtos agrícolas dos EUA atinge a soja, fortalecendo Brasil

Complexo soja acelera baixas em Chicago, com óleo e grão perdendo perto de 3% nesta 6ª feira

Soja despenca mais de 20 pts em Chicago nesta 6ª e perde patamar dos US$ 10/bu com resposta da China aos EUA

Preços da soja caem nos portos do Brasil refletindo queda forte em Chicago e do dólar nesta 5ª feira