Taxas futuras de juros sobem em dia negativo para ativos brasileiros em meio à guerra de tarifas
Por Fabricio de Castro
SÃO PAULO (Reuters) - As taxas dos DIs fecharam a quinta-feira em alta, em especial entre os contratos com prazos mais longos, em uma sessão marcada por novos dados econômicos dos EUA e do Brasil e contaminada pela guerra tarifária desencadeada pelo presidente norte-americano, Donald Trump.
Após os ativos brasileiros terem reagido positivamente na véspera à pausa por 90 dias da cobrança de algumas tarifas pelos EUA, nesta quinta eles foram penalizados, acompanhando as quedas das bolsas e das commodities no exterior, além do avanço do dólar ante moedas como o real.
No fim da tarde desta quinta-feira a taxa do DI (Depósito Interfinanceiro) para janeiro de 2026 -- um dos mais líquidos no curto prazo -- estava em 14,795%, em leve baixa de 2 pontos-base ante o ajuste de 14,817% da sessão anterior, enquanto a taxa para janeiro de 2027 marcava 14,53%, ante o ajuste de 14,487%.
Entre os contratos mais longos, a taxa para janeiro de 2031 estava em 14,76%, ante 14,56% do ajuste anterior, e o contrato para janeiro de 2033 tinha taxa de 14,89%, em alta de 16 pontos-base ante 14,674%.
Pela manhã, o Departamento do Trabalho dos EUA informou que o índice de preços ao produtor (CPI, na sigla em inglês) caiu 0,1% em março, depois de ter subido 0,2% em fevereiro. Nos 12 meses até março, o índice avançou 2,4%, de 2,8% em fevereiro. Economistas consultados pela Reuters previam altas mensal de 0,1% e anual de 2,6%.
Já o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que o volume de serviços teve em fevereiro alta de 0,8%, devolvendo a contração de 0,6% em janeiro. Na comparação com o mesmo mês do ano anterior, o volume registrou ganho de 4,2%. Os resultados ficaram acima das expectativas em pesquisa da Reuters, de altas de 0,1% no mês e de 3,3% no ano.
“Os dados econômicos têm tido um pouco menos de peso em função da influência das tarifas, mas os números foram bem importantes hoje. O CPI veio abaixo do esperado, e embora ele seja insuficiente para o Federal Reserve tomar qualquer decisão sobre juros, não deixa de ser uma boa notícia”, comentou Laís Costa, analista da Empiricus Research, chamando atenção para a queda dos rendimentos dos Treasuries mais cedo.
“No Brasil é o contrário, porque a atividade está forte, como mostraram os dados de hoje. De todo modo, estamos flutuando muito ao redor do que será ou não a tarifa dos EUA”, acrescentou.
Como na véspera a sessão foi marcada por queda firme do dólar ante o real e por uma desaceleração forte das taxas futuras, na esteira da pausa nas tarifas, nesta quinta o dia foi de ajustes de alta para o dólar ante o real e de elevação das taxas dos DIs, em especial na ponta mais longa da curva.
O movimento refletiu a percepção de que, apesar do adiamento, o cenário de guerra comercial entre Estados Unidos e China -- os dois principais combatentes neste momento -- não será necessariamente positivo para o Brasil. No mercado internacional o petróleo caía em torno de 3% e o farelo de soja cedeu mais de 1% -- ambos produtos importantes para a pauta exportadora brasileira.
Internamente, a informação de que a proposta do governo Lula de reestruturação do setor elétrico, que deverá chegar ao Congresso no primeiro semestre, terá uma medida que amplia a gratuidade da conta de energia, não foi bem recebida pelos agentes. À tarde o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, tentou conter as preocupações ao afirmar que não há estudo em andamento, na Pasta ou na Casa Civil, sobre o programa.
“O que não impede, evidentemente, o ministério de estudar o que quer que seja, mas nesse momento não há nada tramitando", acrescentou.
Novamente em uma sessão bastante volátil, a taxa do DI para janeiro de 2023 oscilou entre a mínima de 14,65% (-8 pontos-base ante o ajuste) às 9h33 e uma máxima de 14,89% (+16 pontos-base) às 10h14.
“Precisa tomar cuidado nestes dias de estresse agudo, porque os movimentos são muito violentos, tanto na ida quanto na volta”, comentou pela manhã o economista-chefe do Banco Master, Paulo Gala. “De repente vem uma notícia, como a de ontem, que muda completamente o debate. (Mas) claro que a situação (da guerra de tarifas) não está resolvida”, acrescentou.
Em meio ao cenário incerto, o mercado segue dividido sobre as próximas decisões do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central para a taxa Selic, hoje em 14,25%.
Na quarta-feira -- atualização mais recente -- o mercado de opções de Copom da B3 precificava 58,00% de probabilidade de alta de 50 pontos-base da Selic em maio (ante 60,50% na véspera), 13,00 de chances de manutenção (10,00% na véspera) e 12,50% de possibilidade de elevação de 25 pontos-base (14,00% na véspera).
No fim da tarde, o mercado de Treasuries mostrava maior acomodação na comparação com os últimos dias, quando a forte venda de títulos fez as taxas dispararem. Às 16h52, o rendimento do Treasury de dez anos -- referência global para decisões de investimento -- estava estável em 4,394%. Já o retorno do título de dois anos -- que reflete apostas para os rumos das taxas de juros de curto prazo -- tinha queda de 11 pontos-base, a 3,835%.
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