Ibovespa recua às vésperas de tarifas de Trump; GPA salta
Por Patricia Vilas Boas
SÃO PAULO (Reuters) - O Ibovespa caiu mais de 1% nesta segunda-feira contaminado pela aversão ao risco no exterior, em meio ao esperado anúncio nesta semana de novas tarifas de importação pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, enquanto GPA foi destaque positivo, saltando 13% após pedido de acionista por um novo conselho.
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa recuou 1,25%, a 130.259,54 pontos, tendo oscilado a 130.114,96 pontos na mínima e a 131.900,92 pontos na máxima da sessão. O volume financeiro no pregão somou R$20,52 bilhões.
No mês, o Ibovespa subiu 6,08%, enquanto no acumulado dos primeiros três meses do ano avançou 8,29%.
Trump disse no domingo que as tarifas recíprocas previstas para serem anunciadas na quarta-feira, 2 de abril, incluirão todos os países, não apenas um grupo menor de 10 a 15 países, o que pesou sobre o humor do mercado. O republicano já impôs tarifas sobre alumínio, aço e automóveis, além de taxas maiores sobre todos os produtos da China.
"Os investidores estão preocupados com as tarifas e a incerteza sobre a economia norte-americana", afirmou o estrategista de ações do research da XP, Raphael Figueredo. "Embora a recessão não seja nosso cenário base, a probabilidade vem aumentando gradativamente."
O Goldman Sachs elevou a probabilidade de recessão para os Estados Unidos de 20% para 35% e reduziu a previsão de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do país em 2025 de 2,0% para 1,5%.
"Existe uma postura de cautela e busca por proteção antes da divulgação na quarta-feira de novas medidas de política tarifária dos EUA", acrescentou o economista-chefe do banco BV, Roberto Padovani.
"Esse desempenho hoje é mais agudo, mas também não é muito diferente do que a gente assistiu ao longo do mês de março, uma incerteza crescente em função das dúvidas em relação à política externa norte-americana."
Em Wall Street, os principais índices acionários se recuperaram das perdas da abertura, com Dow Jones e S&P encerrando o pregão no azul e Nasdaq próximo da estabilidade. Os três índices, no entanto, fecharam março com fortes perdas mensais e trimestrais.
Na cena doméstica, o noticiário ainda repercutiu falas da ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet, nesta segunda-feira, afirmando que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fará poucos vetos ao texto do Orçamento de 2025, aprovado pelo Congresso em 20 de março. Segundo Tebet, muitos dos ajustes a serem realizados pelo governo serão "técnicos".
DESTAQUES
- VALE ON caiu 1,49%, respondendo pela maior contribuição de baixa para o Ibovespa. O papel foi pressionado pela queda dos preços nos contratos futuros do minério de ferro na Ásia, influenciada por preocupações com as perspectivas de demanda na China, depois que siderúrgicas cortaram produção.
- PETROBRAS PN recuou 0,72%, apesar da alta dos preços do petróleo no exterior, onde o barril de Brent fechou com elevação de 1,51%. A presidente da estatal, Magda Chambriard, anunciou nesta segunda-feira que a companhia vai reduzir o preço médio do diesel vendido em suas refinarias em 4,6%, a R$3,55 por litro, a partir de 1º de abril, e disse que espera conseguir licença pré-operacional para atuar na Bacia da Foz do Amazonas ainda em abril. A Petrobras também anunciou redução de 7,9% no preço médio de venda de querosene de aviação para distribuidoras a partir de terça-feira.
- GPA ON saltou 13,6%, liderando com folga as altas do Ibovespa, após a varejista informar no domingo que o fundo de investimento Saint German, controlado pelo investidor Nelson Tanure, pediu convocação de assembleia geral extraordinária para destituir o atual conselho de administração e eleger novos membros, incluindo executivos indicados pelo próprio empresário.
- ITAÚ UNIBANCO PN caiu 0,88%, em dia negativo para bancos do Ibovespa. BRADESCO PN cedeu 1,32%, SANTANDER BRASIL UNIT perdeu 1,51%, BANCO DO BRASIL ON recuou 1,57% e BTG PACTUAL UNIT desvalorizou-se 3,44%. O JPMorgan rebaixou nesta segunda-feira a recomendação para as ações do BB e do BTG de "overweight" para "neutra", citando realização de lucros diante de uma visão mais baixista em relação às tendências da indústria e de um potencial de valorização mais limitado do setor.
- BRB ON, que não está no Ibovespa, disparou 83,44%, quase dobrando seu valor no pregão, após anunciar na sexta-feira contrato para aquisição do Banco Master, em um acordo envolvendo 49% das ações ordinárias, 100% das ações preferenciais e 58% do capital total do banco liderado por Daniel Vorcaro. AMBIPAR ON, investida da Trustee DTVM, do Banco Master, fechou com alta de 2,28%, devolvendo ganhos após avançar cerca de 10% no pico da sessão.
- GRUPO CASAS BAHIA ON, que também não está listada no Ibovespa, caiu 12,89% no dia, mas selou o mês com uma valorização acumulada de mais de 200%. O grupo irá propor a acionistas em assembleia de 30 de abril a inclusão de uma cláusula de "poison pill" em seu estatuto, mecanismo que visa proteger a empresa de ofertas hostis.
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