Arko Advice: Gleisi na coordenação traz dúvidas para a política fiscal
A nomeação de Gleisi Hoffmann (PT-PR) para a Secretaria de Relações Institucionais (SRI) teria implicações políticas importantes, o que explica a reação negativa à ideia:
1. Resistência no Congresso – Apesar de sua habilidade como articuladora, Gleisi enfrenta dificuldades na relação com parlamentares, o que poderia comprometer a interlocução do governo com o Legislativo.
2. Impacto na política econômica – Sua falta de alinhamento total com a política fiscal e econômica do ministro Fernando Haddad poderia enfraquecer a agenda econômica do governo, gerando instabilidade no mercado e dentro da própria Esplanada.
3. Falta de trânsito no Congresso – Gleisi não tem uma relação fluida com diversas bancadas e lideranças do Congresso, tornando sua nomeação um risco para a articulação política.
4. Disputas internas no PT – Há tensões dentro do próprio partido envolvendo Gleisi, que disputa espaço com o futuro presidente do PT, Edinho Silva, e com o líder Washington Quaquá. Sua indicação poderia intensificar essas disputas internas.
Além das resistências no Congresso e no próprio PT, a Arko Advice conversou com importantes lideranças da Câmara e do Senado que avaliaram a decisão de Lula como um erro grave. Segundo esses líderes, a movimentação não apenas fragiliza a articulação política do governo, mas também amplia as dificuldades enfrentadas pelo Palácio do Planalto no Congresso e para o avanço das propostas de Fernando Haddad.
Reforma Ministerial fortalece círculos de confiança
O início da reforma ministerial tem sido caracterizado por movimentos arriscados do presidente Lula (PT). A substituição de Nísia Trinidade por Alexandre Padilha (PT), que estava no comando da Secretaria de Relações Instituições, no Ministério da Saúde foi marcada por uma “fritura” de Nísia. No mesmo dia em que foi demitida, Nísia havia participado do lançamento da vacina 100% nacional contra a dengue.
A indicação de Padilha para a Saúde, pasta que possui o maior orçamento entre os ministérios, tende a provocar insatisfação nos partidos do centrão. Vale recordar que o Ministério da Saúde era uma das pastas cobiçadas pelo centrão.
A segunda aposta de Lula na reforma ministerial que irá gerar desconforto ocorreu hoje (28), com a escolha da presidente nacional do PT, a deputada federal Gleisi Hoffmann (PR), para a Secretaria de Relações Institucionais. Gleisi será a responsável pela articulação política do governo com o Congresso Nacional. A escolha de Gleisi, um nome de perfil combatido, também não deve ser bem recebida pelo centrão.
No Ministério da Fazenda, fontes ouvidas pela Arko, demonstraram desconforto com a escolha.
Uma explicação para a escolha de Gleisi Hoffmann é a correlação de forças no PT. Gleisi deixará o comando do partido. O favorito para o cargo é o ex-prefeito de Araraquara (SP) Edinho Silva (PT), que internamente na legenda está “à direita” de Gleisi. Assim, a ida de Gleisi para a pasta de Relações Institucionais completa os segmentos mais à esquerda do partido.
Os primeiros movimentos da reforma ministerial de Lula indicam que ao invés de ampliar o diálogo com siglas como o PP, PSD, MDB, Republicanos e União Brasil, o presidente está optando por “se fechar” no PT. Essa decisão de Lula tende a trazer mais obstáculos no relacionamento com o Congresso.
Outro aspecto a ser destacado é que a presença de Gleisi Hoffmann no Palácio do Planalto pode produzir embates com o ministro da Casa Civil, Rui Costa (PT), que também tem uma personalidade forte. Quem também pode perder força é o ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT). Gleisi, assim como Rui, tem uma postura crítica em relação a iniciativas mais “fiscalistas” da Fazenda.
Lula parece ter se convencido de que o sucesso de seu governo não passa pelo Centrão, e de que esse multipartidário grupo político não estará, em sua maioria, ao seu lado em 2026.
A escolhas de Lula, por enquanto, reformam seu círculo de confiança, mas ignoram um dos maiores problemas do governo: o diálogo e o convencimento para fora do PT.
Deputado Zucco aponta que nomeação de Gleisi Hoffmann é mais um sinal preocupante
A nomeação da deputada federal Gleisi Hoffmann para comandar a articulação política do governo é mais um sinal preocupante do caminho que o país está trilhando sob a atual gestão. O governo, que já enfrenta uma crise de credibilidade, opta por colocar à frente do diálogo com o Congresso uma figura cuja trajetória política é marcada por conflitos, radicalização ideológica e dificuldades na construção de consensos.
O Brasil precisa de uma articulação baseada no respeito às instituições, na transparência e na busca por soluções concretas para os desafios nacionais. No entanto, a escolha de Gleisi Hoffmann demonstra que o governo continua priorizando interesses partidários em detrimento do bem comum.
Se continuar assim, muito em breve, além da Gleisi na articulação política, corremos o risco de ter a Janja à frente da Casa Civil.
A oposição seguirá firme em seu papel de fiscalizar e cobrar responsabilidade do Executivo, defendendo sempre os interesses da população brasileira. O país precisa de união e equilíbrio, não de mais polarização e instabilidade.
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