Na FOLHA: Crise econômica e política prejudica confiança no país. Só 37% aprova o Governo

Publicado em 05/02/2015 04:00
Pesquisa revela que governo é instituição menos confiável pelo brasileiro; empresas estão em alta. Minoria (37%) dos entrevistados aprova governo; crise da Petrobras faz cair confiança nas estatais (NA FOLHA DE SÃO PAULO, edição desta 5a.-feira)

O escândalo de corrupção envolvendo políticos, empresas e a Petrobras, a crise hídrica e a deterioração do cenário econômico arranharam a confiança do brasileiro em suas instituições.

É o que mostra a 15ª edição do "Trust Barometer" (Barômetro da Confiança, em uma tradução livre), levantamento feito em 27 países pela multinacional de relações públicas Edelman.

A pesquisa traz um índice da descrença do brasileiro no governo, empresas, mídia e organizações não governamentais (ONGs).

Entre os entrevistados, só 37% disseram confiar no governo federal, índice que foi de 85% na pesquisa de 2011, primeiro ano de governo da presidente Dilma Rousseff, e de 34% em 2014.

No âmbito empresarial, o porte das companhias influenciou na confiança --71% disseram ter credibilidade em grandes empresas. Já estatais, como a Petrobras, foram desacreditadas (46% de confiança). Em 2014, elas contaram com a confiança de 56% dos entrevistados.

A mídia também sofreu arranhões, mas teve a aprovação da maioria (56%), ante 63%, em 2014. O jornalista apareceu como uma das fontes mais confiáveis de informação para 68% dos entrevistados. Representantes do governo ou políticos foram os menos confiáveis.

Para 70% dos entrevistados, as ONGs são instituições de credibilidade. Em 2014, o índice foi de 62%.

Apesar disso, o Brasil não acompanhou o mau humor global. Em uma escala de zero a cem, dois terços dos 27 países envolvidos tiveram índice de confiança inferior a 49. A nota do Brasil foi 50, considerada neutra.

No mundo, essa nota foi 46, afetada por episódios como a intensificação dos conflitos no Oriente Médio e a tensão na Ucrânia, pela epidemia do ebola na África que quase se espalhou, por ataques terroristas e o clima de insegurança de dados pessoais após os ataques cibernéticos contra Apple e Sony.

CENÁRIO EMPRESARIAL

A imagem das empresas brasileiras no exterior também foi afetada. Do total de entrevistados, 38% disseram-se desconfiados em relação às empresas nacionais.

Nesse quesito, o Brasil ficou na 13ª posição, à frente somente da China (36%), da Rússia (35%), da Índia (34%) --integrantes do grupo dos países em desenvolvimento (Brics)-- e do México (31%). Não houve mudança em relação ao ano passado.

Companhias de economias consolidadas, como a dos EUA e de grande parte da Europa, foram preferidas. Lideraram a lista as empresas suecas (76%), canadenses (75%) e alemãs (75%).

O clima positivo para empresas de países em desenvolvimento como o Brasil só foi encontrado nos próprios países em desenvolvimento. Nesses locais, a confiança nas múltis foi de 57%. Nos países desenvolvidos, ela foi de 22%.

Por outro lado, as nações em desenvolvimento têm 77% de confiança em companhias de países desenvolvidos.

Divulgada nesta quinta, a pesquisa contou com 33 mil entrevistados, todos com acesso à internet. A amostra média por país foi de mil pessoas, e 18% tinham nível superior e renda acima da média. Todos responderam a um questionário on-line.

 

Dólar sobe 1,4% e é o mais caro desde 2005

Moeda vai a R$ 2,746, com aposta de aumento de juro nos EUA no primeiro semestre

O dólar subiu para o maior preço em quase dez anos nesta quarta-feira (4) no Brasil.

A moeda americana à vista, referência no mercado financeiro, subiu 1,41%, a R$ 2,746, enquanto o dólar comercial, usado no comércio exterior, 1,78%, a R$ 2,742. Ambos os preços são os maiores desde março de 2005.

A valorização ocorreu com o aumento das apostas no mercado financeiro em alta dos juros americanos ainda no primeiro semestre.

A percepção é que, com juros mais altos nos EUA, recursos internacionais se direcionem para investimentos em títulos daquele país --considerados de baixo risco--, em detrimento de aplicações mais arriscadas, como as de países emergentes.

Diante da perspectiva de entrada menor de dólares no Brasil, o preço da moeda americana sobe.

As apostas em aperto monetário nos EUA ganharam força nesta quarta a partir da revisão para cima do número de vagas de emprego criadas no setor privado em dezembro, de 241 mil para 253 mil, segundo a consultoria ADP.

"O dado mostra o bom ritmo de criação de postos de trabalho nos EUA, embora o Fed [banco central americano] dê mais peso ao relatório que será divulgado nesta sexta (6), que inclui dados tanto do setor privado quanto do público", diz Maurício Nakahodo, economista do Banco de Tokyo-Mitsubishi.

Nakahodo destaca ainda que a desaceleração do setor de serviços da China também contribuiu para aumentar a pressão de baixa sobre as moedas emergentes, como o real, uma vez que o país asiático é um grande comprador de matérias-primas.

O setor de serviços chinês cresceu em janeiro no ritmo mais lento em seis meses.

O BC brasileiro deu continuidade às intervenções diárias no mercado, vendendo contratos de "swap" cambial (equivalentes a uma venda futura de dólares).

 

STF mantém janela para cobrar 'juros sobre juros'

Decisão sobre empréstimos de até um ano destravará 13,5 mil processos sobre o tema

O Supremo Tribunal Federal aceitou recurso do Banco Fiat S.A. e manteve o artigo de uma medida provisória de 2001 que permite a capitalização de juros em empréstimos com periodicidade inferior a um ano --a cobrança de juros sobre juros.

Com a decisão, 13,5 mil processos que estavam em instâncias inferiores da Justiça aguardando posição do Supremo serão resolvidos.

A cobrança de juros sobre juros acontece em diversas operações de crédito, como cheque especial, juros dos cartões de crédito, "leasings" e financiamentos.

Nesta quarta (4), o STF analisou o questionamento da cobrança, por uma consumidora, em uma operação de crédito com o Banco Fiat.

A Justiça do Rio Grande do Sul, onde a ação foi aberta, havia dado parecer favorável à reclamante. Após recursos do banco, porém, o caso chegou ao STF, que por 7 a 1 (votou contra o ministro Marco Aurélio Mello) manteve a cobrança.

 

Imposto alto deixa Brasil para trás, diz guru digital

A tributação sobre equipamentos tecnológicos importados deixará o Brasil para trás na atual fase da revolução digital, o chamado movimento "maker" --que tem como expoente a impressão 3D e é formado por interessados em produzir suas próprias coisas.

A opinião é do empresário e ex-editor da revista tecnológica "Wired", Chris Anderson, um dos principais pensadores da era digital.

"O governo brasileiro tem de entender que vocês não são capazes de fazer tudo sozinhos", disse nesta quarta(4) no evento de tecnologia Campus Party, em São Paulo.

Cofundador e presidente-executivo da 3DRobotics, empresa que fabrica drones nos EUA e no México, Anderson disse que não consegue vender por aqui porque os preços de seus produtos seriam proibitivos. "A menos que fabricasse no Brasil."

Para ele, máquinas como impressoras 3D, que permitem a construção de objetos modelados em computador, deveriam ter menos tributação. "Assim como vocês têm o direito de acessar a internet, têm de exigir o direito de acessar as ferramentas", disse o entusiasta do "faça você mesmo".

"Com os tributos do jeito que são hoje, vocês não conseguem verdadeiramente competir com a China."

RIVALIDADE

Grande parte de sua palestra foi dedicada à rivalidade com a fabricação nesse país asiático, onde estão situados alguns dos principais concorrentes de sua companhia. A força do movimento "maker" na China tornou-se avassaladora, para ele, por causa dos baixos envolvidos na pesquisa e na produção locais.

"A parte ruim disso é que temos de competir com os chineses. A boa é que podemos fazê-lo", disse, minimizando os problemas trabalhistas na China, país que diz ser vítima de uma campanha ideológica acerca do tema.

"Fico maluco quando uma pessoa desvirtua da importância do movimento 'maker' ao falar que há trabalho escravo na China. Essas pessoas já foram para lá?", questionou, citando a experiência de ter visitado "centenas" de fábricas e morado no país comunista.

"Pode ser que você não quisesse estar trabalhando sob aquelas condições, mas as pessoas estão ali e conseguem melhorar a vida de suas famílias assim."

Anderson diz que está à caça de engenheiros brasileiros, categoria que elogiou. "São os melhores do mundo, muito criativos e árduos trabalhadores."

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Fonte:
Folha de S. Paulo

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