A Horta da Europa: Como o “Mar de Plástico” de Almería impulsiona a economia do sul da Espanha

Publicado em 25/03/2025 18:05 e atualizado em 25/03/2025 18:39
Região é modelo de exploração agrícola de alta tecnologia e produtividade; veja imagens

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Almería é um município espanhol capital da província de mesmo nome, que pertence à Comunidade Autónoma de Andaluzia, no sul da Espanha. Banhada pelas águas do Mar Mediterrâneo, a região à sudeste da Península Ibérica é conhecida com a “Horta da Europa” e cultiva grande parte dos produtos de hortifruti consumidos no país e boa parte dos do continente. 

Segundo dados do Observatório de Preços e Mercados da Junta de Andaluzia, na safra 2023/24 foram cultivados 33.418 hectares de estufas na região com destaque para os cultivos de pimentão, tomate, berinjela, abóbora, melão, melancia e pepino, mas indicações não oficiais apontam para cerca de 40 mil hectares de estufas, ou invernaderos, como são conhecidas no país. 

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Produção de tomate na região de Almería na Espanha - Guilherme Dorigatti

Segundo colocado no ranking regional, o tomate representa 22% da produção, 18% da superfície, 22% do valor e 18% das exportações. 

Olhando para esse comércio exterior, ao longo de 2024 a região exportou 5,074 milhões de euros, de acordo com dados do Ministério de Economia, Comércio e Empresas da Espanha. Deste montante, 68,2% vieram de produtos do agronegócio, 3,380 milhões de euros. 

Entre os principais destinos da agricultura de Almería estão Alemanha com 1,056 milhões de euros, França com 419,24 mil, Reino Unido 385,53 milhões e Países Baixos 363,42. 

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Produção de tomate na região de Almería na Espanha - Guilherme Dorigatti

O MAR DE PLÁSTICO 

Toda essa produção agrícola da região só é possível devido ao grande número de estufas instaladas por lá, o que levou ao apelido de “mar de plástico” dado à alta concentração de estufas de plástico que chamam a atenção na paisagem local. 

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Vista aérea das estufas de Almería na Espanha - Guilherme Dorigatti

Este modelo de exploração agrícola com alto rendimento técnico e econômico baseado no uso racional de água, do solo e de recursos, além de alta capacidade de conhecimento técnico remonta da década de 1960. 

Da segunda geração de produtores, José Angel conta que a família iniciou a produção de tomates na região em 1967 e foi se modernizando desde então. Modificando um ponto de produção em 1998 e instalando um sistema de irrigação de água quente e fertirrigação em 2012. Por fim, em 2019, foi instalada a iluminação de LED para trazer mais produtividade e qualidade ao fruto. 

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José Angel produtor de tomates em Almería - Guilherme Dorigatti

“Isso melhora a circulação do ar e a umidade relativa do ar, o que traz mais produtividade e qualidade ao tomate. Sem as luzes produzimos entre 6 e 7,5 quilos por metro quadrado, mas podemos chegar em 8 ou 9 quilos por metro quadrado se alongamos o tempo de produção”, conta Angel. 

O produtor e sua família cultivam vegetais em 220 hectares na província de Almería, dos quais 60 são de alta tecnologia. Mais de 90% desta produção tem como destino o Reino Unido seja no tomate, pepino ou pimentão. 

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Estufa na região de Almería na Espanha - Guilherme Dorigatti

BRASIL 

Dados de 2023 do Instituto Brasileiro de Geografia e estatística (IBGE) apontam que o Brasil cultiva 59.010 hectares de tomate, pouco mais do que apenas a região de Almería. 

A grande diferença entre os cultivos brasileiros e espanhóis é a produção em campo aberto ao invés da utilização de estufas, como destaca Diego Araújo Lemos, Gerente de Portifólio Nunhems. 

“As características que marcam bem Almería são o cultivo protegido e a tecnologia que é utilizada aqui. Se destacam também a fertilidade do solo e o manejo da planta no que tange o número de ramos e como o produtor conecta a produção com o clima. Almería é uma região com solo totalmente diferente de outras regiões, o que faz o produtor ter que realizar manejos especiais”, diz Lemos. 

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Estufa na região de Almería na Espanha - Guilherme Dorigatti

Apesar de todas essas diferenças, ainda existem oportunidades de intercâmbio para aprender e levar novas informações para melhorar o cultivo brasileiro. “Esse é o principal objetivo do nosso tour. Sejam as tecnologias de genética ou na questão de cultivo como condutividade elétrica no solo para ter melhor sabor no tomate”, destaca. 

Esse intercâmbio e a busca por novidades também é o grande objetivo do produtor rural brasileiro José Leonardo Mallmann, que está acompanhando a equipe da BASF Nunhems nesta jornada pela Europa. 

“É a minha segunda vez aqui e cada vez que a gente vem é uma novidade que a gente observa. A produção europeia tem que servir de exemplo para a nós produtores brasileiros, cada vez uma melhor tecnificação e um melhor produto para entregar ao cliente. A gente está vendo muitos depoimentos sobre doenças que ainda não estão no Brasil e precisamos levar essa tecnologia para lá antes que o problema chegue”, relata Mallmann. 

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Produção de tomate na região de Almería na Espanha - Guilherme Dorigatti
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Por:
Guilherme Dorigatti
Fonte:
Notícias Agrícolas

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