Semanas de calor em sequência no RS podem causar queda na produtividade do setor de proteínas animais

Publicado em 07/03/2025 05:00 e atualizado em 11/03/2025 16:23
Segundo meteorologistas, a partir de sábado o Estado deve ter uma ‘virada’ no tempo com a entrada de uma frente fria, baixando as temperaturas e trazendo chuvas para alguns municípios

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Segundo informações da Metsul, o Rio Grande do Sul deve ter a entrada de uma frente fria no sábado (8), com chance de chuvas em alguns municípios e queda nas temperaturas. O Estado, que teve uma onda de calor na primeira metade de fevereiro, um intervalo com temperaturas mais amenas e a retomada do calorão há duas semanas, é franco produtor de proteína animal, e as elevadas temperaturas podem prejudicar a produtividade e até mortandade dos animais.

Luizinho Caron, pesquisador da Embrapa Suínos e Aves explica que, quando aumenta a temperatura, as aves comem menos e ganham menos peso. No entanto, boa parte da produção está baseada em aviários ‘dark house’, com clima controlado, com ventiladores, exaustores, placas evaporativas, isolamento térmico no teto do galpão, cortina, nebulizadores. 

“Quanto mais próximo do tempo de abate, mais perigoso é o estresse térmico, porque terá mais calor no aviário, tem menos chance de dissipar o calor. A quantidade de peso no aviário é baseada nos últimos dias pré-abate. Na avicultura de postura, o risco é durante todo o ciclo de produção, não sendo recomendado que as aves recebam insolação direta, porque ela vai usar toda a sua energia para manter a temperatura. Vale para os frangos de corte também”.

Para que todos os equipamentos que mantêm a ambiência funcionem corretamente e com constância, Caron recomenda testes periódicos, inclusive se houver gerador de energia. 

“Quem tem gerador também pode acontecer de não entrar em funcionamento automaticamente, se o aviário estiver desatendido, pode haver mortalidade de mais de um lote. O uso de energia elétrica acaba sendo um peso no custo de produção”. 

Outro ponto ressaltado pelo pesquisador é a oferta de água fresca e constante, além de evitar transportar os animais em períodos em que o dia está mais quente.

Mariana Maria Branco Rosetti, coordenadora de produto MCassab, detalha que animal acaba tendo uma demanda metabólica alta para tentar manter o corpo na temperatura ideal e isso impacta o desempenho zootécnico.

“Para aves, a média para temperatura na postura, é uma fase crítica, em que ela está colocando os ovos. Ela tem uma tolerância de calor mais baixa, entre 24 a 25 graus. Além de queda na produção, a mortalidade é mais grave”.

A climatização das granjas em tempos de forte calor também é recomendada na suinocultura, conforme Osmar Dalla Costa, pesquisador da Embrapa Suínos e Aves. 

“Toda espécie animal quando ela é exposta fora da zona de conforto, começa a comprometer seus índices de produtividade. O que a gente tem visto nesse verão são temperaturas muito acima da zona de conforto. Isso pode prejudicar o desempenho dos animais por estresse térmico. A suinocultura brasileira tem evoluído significativamente, e com a IN 113, com o número regulado de alojamento de matrizes, muitas granjas têm sido reformadas, colocando climatização, e isso mitiga o estresse térmico”.

Mas vendo o outro cenário, onde não há climatização, na gestação, a matriz ela não consegue comer, e tem problemas repordutivos, como aumento na taxa de aborto, maior taxa de retorno ao cio, e menor número de leitões nascidos vivos. 

“Na maternidade, a matriz a partir da primeira semana após o parto, ela tem que comer de 5 a 8 quilos de ração por dia, e com essas altas temperaturas elas não conseguem comer, culminando em uma menor produção de leite, com maior mortalidade em leitões e diminuição do peso no desmame. Crescimento e terminação, 23 a 140 quilos, tem comprometimento na conversão alimentar. Os animais não conseguem ter um bom ganho de peso diário (GPD), e por consequência a conversão alimentar é prejudicada. Em função de eles não comerem a quantidade que deveriam, pode alongar o ciclo do período de produção dos animais, aumentando a compra de ração e, por consequência, os custos de produção”.

Mariana explica que os suínos na creche precisam de temperatura mais elevada. “A fase mais crítica é a fase da porca na gestação e lactação. A climatização nos ambientes é uma alternativa para manter um ambiente mais agradável. Na lactação, na maternidade, tem o escamoteador que é como se fosse uma casinha com fonte de aquecimento, onde o leitão busca temperaturas maiores, o que é o ideal, enquanto o ambiente onde fica a porca é climatizado para um animal adulto”. 

De acordo com Dalla Costa, isso tudo representa para o produtor um maior custo de produção, porque era para nascer de 14 a 15 leitões vivos, e acaba nascendo 12, por exemplo. Era para desmamar 13, desmamou 11. Começa a comprometer os índices de produtividade, e quanto menor o índice, maior os custos de produção. 

“Todas as fases são críticas com estresse térmico. Para cada fase tem uma temperatura de conforto,quando os leitões nascem, tem que ter uma temperatura um pouco maior, e à medida que a idade avança, a temperatura tem que diminuir. Isso tudo gera um custo com energia elétrica”. 

O pesquisador recomenda que os produtores de forma geral, instalem bebedouros com boa vazão, e média geral de dois litros por minuto, com água mais fresca. “Se o suíno não come, ele não bebe, se ele não bebe ele não come”. 

ESFORÇOS ESTADUAIS

Claudinei Moisés Baldissera, diretor técnico Emater-RS, relembra que o Rio Grande do Sul passa pela conjunção de dois fatores: a falta de chuvas, que atinge principalmente o oeste do Estado e as subsequentes ondas de calor, se apresentando muito acima do que acontece no estado. 

“A Emater está trabalhando no levantamento desses dados de perdas pelo calor e seca, com técnicos presentes em todos os municípios do Rio Grande do Sul. O primeiro movimento é a elaboração de laudos para formar os conjuntos probatórios para os municípios decretarem estado de emergência ou de calamidade, tudo parametrizado junto às prefeituras”. 
 

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Por:
Letícia Guimarães
Fonte:
Notícias Agrícolas

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