Cotações do boi gordo na B3 devem amanhecer na quarta-feira (5) em queda por suspensões chinesas a frigoríficos do BR

Publicado em 03/03/2025 11:15 e atualizado em 05/03/2025 07:51
Nesta segunda-feira (3) a China anunciou a suspensão de três frigoríficos brasileiros, um uruguaio e dois argentinos

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Após boatos na semana passada de que a China suspenderia habilitações de frigoríficos de carne bovina brasileiros, a confirmação veio nesta segunda-feira (3) de que três unidades que abatem bovinos no país estariam com a habilitação suspensa. Os detalhes de quais plantas seriam ainda estão sendo apurados, mas inicialmente, são três frigoríficos brasileiros, dois na Argentina e um no Uruguai.

Segundo informações iniciais, as plantas brasileiras suspensas ficariam em Nanuque (MG), Presidente Prudente (SP) e Mozarlândia (GO). Uma fonte do setor que pediu para não ser identificada enviou à reportagem o comunicado da alfândega chinesa traduzido. (CONFIRA ABAIXO)

O Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) se pronunciou coma a seguinte nota: 

 

"Esclarecimento sobre a suspensão de três plantas frigoríficas para a China

O governo brasileiro informa que recebeu da Administração-Geral de Aduanas da China (GACC) o comunicado da suspensão temporária da importação de carne bovina de três frigoríficos brasileiros. A GACC realizou videoauditorias nas plantas frigoríficas, nas quais foram identificadas não conformidades em relação aos requisitos de importação chineses.

As empresas envolvidas já foram notificadas e estão adotando medidas corretivas para atender às exigências da GACC.

“Hoje, o Brasil tem 126 plantas frigoríficas habilitadas. Quando nós assumimos, tínhamos 12 plantas suspensas. Nós retomamos essas 12 e abrimos mais 43, das 55 desse total de 126. Então, não é coerente que três plantas suspensas impactem a relação comercial”, explicou o ministro Carlos Fávaro.

Para o secretário de Defesa Agropecuária, Carlos Goulart, o Brasil tem um bom desempenho na defesa agropecuária, o que colabora com a credibilidade e o reconhecimento desse trabalho no exterior. “Seguiremos em diálogo com o setor privado exportador e com as autoridades chinesas para solucionar os questionamentos apontados e retomar as exportações dessas unidades”, disse o secretário Goulart.

A China é o principal destino da exportação de carne bovina brasileira, e as exportações favorecem o mercado nacional. “Os cortes exportados são diferentes, então isso favorece, inclusive, a formação de preço aqui dentro do Brasil. São produtos que vendem muito pouco aqui ou que possuem menor valor comercial, em função dos diferentes padrões de consumo. O fato de estarmos exportando é bom para a formação do todo”, disse ainda o ministro Fávaro".

 

A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC) enviou o seguinte comunicado: 

"A Administração-Geral de Aduanas da China (GACC) realizou auditorias remotas em três estabelecimentos exportadores de carne bovina do Brasil, dois da Argentina, um do Uruguai e um da Mongólia, este último referente às carnes bovina e ovina. Em todos os casos, foram identificadas não conformidades em relação aos requisitos chineses para o registro de estabelecimentos estrangeiros.  

Seguindo a regulamentação vigente, o GACC determinou a suspensão temporária das importações desses estabelecimentos a partir de 3 de março de 2025. As empresas envolvidas já foram notificadas e estão adotando medidas corretivas para atender às exigências da autoridade sanitária chinesa.  

A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), em parceria com o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), segue em diálogo com as autoridades competentes para garantir a rápida resolução da questão. Importante destacar que os demais estabelecimentos habilitados seguem operando normalmente, assegurando o fluxo das exportações de carne bovina brasileira ao mercado chinês.  

O Brasil reafirma sua confiança na robustez do controle sanitário nacional, conduzido pelo Ministério da Agricultura e Pecuária, e segue trabalhando ativamente para solucionar os questionamentos apresentados com celeridade, garantindo a segurança e qualidade da carne bovina exportada".

 

De acordo com o analista da SAFRAS & Mercado, Fernando Henrique Iglesias, a impressão é de que a China está “realmente tentando forçar a barra para tentar renegociar contratos de importação, baixar preços em dólar da carne bovina, como tipicamente costuma fazer". 

Ele ainda explica que isso não deve mexer com as exportações brasileiras, já que são três unidades suspensas, em meio a 30 habilitadas para exportar para a China. “Não deve pesar muito na quantidade de produto exportado. Temos uma grande dificuldade à frente em relação à China pelo perfil de poder de barganha”. 

Hyberville Neto, médico veterinário e diretor da HN Agro corrobora a fala de Iglesias, apontando que se trata de uma parcela pequena de plantas suspensas cujos abates podem ser redirecionados para outras localidades. “A questão é se isso aumentar, com outras suspensões, aí a conversa é outra”. 

Neto pontua ainda que, para este ano, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) não espera que a China compre menos carne. “Para 2025, segundo o USDA, o Brasil deve exportar 31% de sua produção, e a China compra cerca de metade do volume deste percentual”. 

Para o diretor da HN Agro, esse barulho todo vem do fato de que o preço da carne bovina na China caiu no ano passado, com os produtores chineses ampliando a produção. Isso somado ao ciclo pecuário no Brasil, com carne barata para exportar, que culminou na investigação sobre importação de carne pela China.

Vale lembrar que o Ministério do Comércio da China anunciou no dia 27 de dezembro de 2024 uma investigação sobre as importações de carne bovina por parte do gigante asiático. A busca por informações aprofundadas se concentrará sobre as compras de carne bovina fresca, carne bovina resfriada, cabeças de boi e carne bovina congelada importadas entre 1 de janeiro de 2019 e 30 de junho de 2024, segundo dados das autoridades locais. A investigação envolve todos os exportadores da proteína bovina para a China e foi declarada a partir de formalização de pedidos por parte de entidades que representam o setor da pecuária no gigante asiático.

MERCADO FUTURO

Segundo Eberti Aguiar, consultor da Hegde Agro Consultoria, o principal impacto no mercado interno vai ser na abertura dos mercados futuros na quarta-feira (5), com muitos especuladores entrando na B3 posicionado em venda.

"Esse mercado deve cair bastante na quarta-feira e teremos que ver como vai se comportar durante o dia. Mas o primeiro reflexo será nos contratos futuros. Vamos ver como os frigoríficos vão se posicionar nas compras no mercado físico na quarta, sabendo que tem pouco boi escalado. Mozarlândia, por exemplo, pelo que sei, teve embarque normal durante o feriado. O mercado caindo, os frigoríficos devem fazer uma estratégia de sair um pouco das compras, aproveitar isso para originar um pouco melhor, a partir de quarta-feira. Vamos ver como as coisas vão desenrolar a partir de quarta, porque auando o mercado cai, o pecuarista sai com oferta de boi para comercializar, e acaba muitas vezes estendendo as escalas e frigoríficos abocanhando isso". 

FLUAZURON

Mesmo sem estar na lista dos frigoríficos com habilitação suspensa pela China, o frigorífico Rio Maria, com unidades em Rio Maria (PA), Canaã dos Carajás (PA) e Hidrolândia (GO), emitiu nota de alerta aos pecuaristas que vendem animais para suas unidades. O comunicado (CONFIRA ABAIXO) traz dados sobre o limite máximo de resíduo de Fluazuron, um produto veterinário utilizado no controle de carrapatos. A detecção deste resíduo, segundo o informe, deve ter sido responsável pela sustensão das plantas frigoríficas. O MAPA ainda não confirmou esta infornação ao Notícias Agrícolas. 

 

 

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Por:
Letícia Guimarães
Fonte:
Notícias Agrícolas

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