Curva T10–T02: o gráfico que grita recessão antes do mercado ouvir, por Ronaldo Fernandes
No gráfico, a linha azul representa o spread positivo (curva normal), enquanto os trechos em vermelho indicam os períodos em que a curva ficou invertida — ou seja, o T02 pagava mais juros que o T10. Toda vez que isso aconteceu... a recessão bateu à porta logo depois.
Principais pontos da leitura atual (03/04/2025):
1. Última inversão foi profunda e prolongada
O spread atingiu um fundo de -1,093%, o que representa a inversão mais severa desde os anos 1980. Isso não é só um alerta, é um alarme de incêndio.
2. A curva voltou ao terreno positivo
Hoje, o spread está em *+0,321%*, o que indica que o mercado está começando a precificar uma normalização — seja por alívio inflacionário ou expectativa de corte de juros.
3. Histórico mostra um padrão assustador
Observe que todas as grandes recessões (1990, 2001, 2008, 2020) foram precedidas por essas faixas vermelhas. O padrão se repete:
Inversão → a curva fica negativa (T02 maior que T10). É o alerta de que o mercado espera recessão.
Reversão→ a curva volta ao positivo. Parece alívio, mas historicamente é o ponto onde a recessão realmente começa.
Meses depois → Recessão. O NBER (que oficializa recessões nos EUA) geralmente anuncia a recessão entre 6 e 18 meses depois da reversão da curva.
Em resumo: Quando o mercado “respira aliviado”, é quando a pancada vem.
O que o gráfico sugere agora?
Apesar da reversão técnica, o histórico mostra que a recessão nunca ocorre durante a inversão, mas após o retorno ao azul, quando o mercado já absorveu o aperto monetário e começa a mostrar fraqueza real na economia.
Ou seja, o perigo real pode estar justamente agora!.
Olhar da analista
Esse gráfico é o tipo de ferramenta que assusta muito!
Ele diz que o mercado “ainda não caiu”, mas que a economia já está marcada para cair. E como se fosse pouco, esse último ciclo mostra a inversão mais longa e mais profunda em 40 anos.
Se essa previsão seguir o histórico, estamos em contagem regressiva para uma nova recessão americana. E, como sempre, quando os EUA espirram, o mundo todo corre o risco de gripar. Para o Brasil, isso pode significar:
- Maior fluxo para emergentes (Queda pra dólar).
- Demanda extra por commodities como refúgio.
- E, paradoxalmente, mais entrada de capital em países como o nosso, desde que não sejamos os alvos das guerras tarifárias (mais pesadas) e geopolíticas (como se envolver militarmente nas guerras).
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