Soja deve intensificar volatilidade nos próximos meses e pode trazer oportunidades para o produtor brasileiro
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Entrevista com Victor Martins - Hedge Point Global Markets sobre o Fechamento de Mercado da Soja
O mercado de grãos teve uma semana de intensa volatilidade tanto para a soja, quanto para o milho, na Bolsa de Chicago e no Brasil. Em destaque estão as condições de clima nos Estados Unidos, as especulações sobre a safra 2021/22, a demanda chinesa e as mudanças na trajetória do dólar.
"Estamos na iminência de um dos períodos mais importantes da sazonalidade, que é junho e julho, cenário de clima e todo o reflexo das condições, mapas, convergências do mapas e como tudo isso vai impactar o mercado que, apesar de ter já precificado estoques de passagem muito apertados, ainda não precificou uma redução ainda mais considerável na oferta total vinda de uma queda de produtividade", explica Victor Martins, gerente de relacionamento sênior para comercialização de grãos da Hedge Point Global Markets.
Outro destaque na semana foram as baixas observadas nos prêmios registradas no mercado físico norte-americano de 60 para 30 cents de dólar por bushel, em média, diante de uma maior participação da Argentina no mercado de derivados - já que o país está em plena colheita da soja - e compete melhor com os EUA agora. E apesar do recuo, os valores ainda seguem acima da média, sendo mais uma sinalização de que os estoques de soja no Meio-Oeste dos Estados Unidos são praticamente nulos.
MERCADO BRASILEIRO
O Brasil segue registrando bons preços e passa pelo seu momento de pico de exportações. O produtor agora espera por melhor oportunidades para voltar a vender e, como explica Martins, pode encontrar bons momentos, de fato, a frente. E esses bons momentos poderiam, inclusive, vir no mercado interno, com a soja devendo ser mais demandada pelas indústrias nacionais.
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"O Brasil já comprometeu boa parte da sua safra com a exportação, já embarcado. E isso traz um cenário de que, mais cedo ou mais tarde, os prêmios no interior terão que voltar a ser fortalecidos, sobretudo agora com uma volta da China com um apetite maior. Isso mostra que a soja brasileira descolou muito da soja americana", explicou o analista da Hedge Point.
Para a safra nova, a formação dos preços ainda está mais ligada ao andamento das cotações na Bolsa de Chicago.