BR comercializa mais de 2 milhões de t de soja 2020/21 na semana com preços recordes nos portos

Publicado em 24/09/2020 16:25

Apesar do plantio da soja ainda estar acontecendo em um ritmo mais lento e nem todos os estados estarem habilitados a plantarem em função do vazio sanitário, o ritmo de negócios para a safra 2020/21 do Brasil voltou a se aquecer nesta semana. Os preços da oleaginosa alcançaram níveis recordes para exportação e os portos testaram referências entre R$ 130,00 e R$ 132,00, como explica Vlamir Brandalizze. 

Números apurados pela Agrinvest Commodities sinalizam vendas de mais de 2 milhões de toneladas. "Essa semana, com a alta do dólar, o mercado trabalha com uma comercialização de 2% da safra, ou seja, de 2,5 a 2,6 milhões de toneladas", explica Marcos Araújo, analista de mercado da corretora. O volume é bem mais alto do que nas últimas semanas, "porque a comercialização estava bem calma", completa. 

Segundo o consultor de mercado da Brandalizze Consulting, os preços recordes foram motivados, principalmente, pelo avanço do dólar, que voltou a operar acima dos R$ 5,50 nos últimos dias, chegando a flertar com os R$ 5,60 nesta quarta-feira (22). 

"Os preços são recordes e motivaram essa volta dos negócios. Participou quem não estava tão vendido, quem já evoluiu bastante com a comercialização não esteve tão presente nesta semana", relata Brandalizze, que acredita que há cerca de 60 milhões de toneladas de soja da safra 2020/21 já comprometidas com a comercialização. 

Ainda segundo ele, a maior parte deste volume, é claro, tem a China como principal destino. E a nação asiática continua acompanhando a oferta brasileira mas sabe que, neste momento, a norte-americana é mais competitiva em termos de preços e vai se ajustando aos bons momentos. 

O comportamento já havia sido adiantado no dia do lançamento da fase um do acordo comercial entre Washington e Pequim, com a nação asiática afirmando que faria suas compras onde os preços fossem, de fato, mais competitivos e atrativos. E por isso já adquiriram, nos últimos dois meses e meio, mais de 11 milhões de toneladas da oleaginosa. 

Leia Mais:

+ USDA: Vendas semanais de soja dos EUA passam de 3 mi e milho, 2 mi de t

+ China inicia colheita de safra de grãos comprometida e mercado já reflete maior necessidade de importações

A questão cambial também é acompanhada e, como explicam os analistas e consultores de mercado, o dólar alto frente ao real é, inclusive, um dos fatores de pressão sobre os futuros da oleaginosa negociados na Bolsa de Chicago. Há três pregões, as cotações da soja vem apresentando baixas intensas e parte disso, motivado pela menor competitividade dos produtos norte-americanos, também como explicam os consultores.

PRÊMIOS

Com a demanda forte, os prêmios para a soja da safra nova também registram bons valores e favorecem ainda mais a formação dos preços do produto brasileiro. Para fevereiro de 2021, segundo também números da Brandalizze Consulting, enquanto os compradores oferecem 50 cents de dólar sobre as cotações da soja em Chicago, os vendedores já pedem US$ 1,20 sobre a CBOT. 

Tags:

Por: Carla Mendes | Instagram @jornalistadasoja
Fonte: Notícias Agrícolas

NOTÍCIAS RELACIONADAS

Soja em Chicago rompe suporte importante dos US$10,30/bushel para Novembro, mas consegue finalizar acima desse patamar
Preços da soja fecham com mais de 1% de queda em Chicago nesta 2ª; atenção às retenciones na Argentina
Soja dá sequência às baixas da última sessão e lidera perdas entre os grãos em Chicago nesta 2ª
Soja/Cepea: Altas externa e cambial impulsionam preços no BR
Soja despenca em Chicago, mas na sequência mercado pode voltar a ficar lateralizado
Soja desaba 4% nesta 6ª feira em Chicago, acompanhando perdas agressivas do óleo, farelo e grãos