Procafé: Boa qualidade do café nessa safra sinaliza perda de produtividade na próxima

Publicado em 01/08/2018 11:25

As condições climáticas que ocorrem nas regiões cafeeiras podem influir tanto na produtividade como na qualidade dos cafés produzidos.

Na safra agrícola 2017/18 a produtividade e, consequentemente, o volume de café produzido se encontra em ciclo de alta, na maioria das lavouras. A qualidade do café agora colhido, essa safra, também vem muito boa, mesmo em regiões onde o café costuma fermentar no pé e beber riado/rio, neste ano a qualidade melhorou muito, pois o clima, nessa época de colheita, está se mostrando muito seco. Com baixa umidade os frutos maduros quase não fermentam secando rapidamente, favorecendo sua qualidade de bebida,

Por outro lado, a estiagem que começou a causar stress hídrico muito cedo, já em abril-maio, e que se prolonga, nas principais regiões cafeeiras do centro-sul, já sinaliza, pela elevada desfolha das plantas, uma perspectiva de perda de produtividade na safra futura, de 2019. Essas perdas prováveis, por efeito climático vão se somar àquelas previstas pela dominância do ciclo bienal de safra baixa em 2019, tendo em vista o ciclo de alta ocorrido na safra de 2018.

Também o ciclo de baixa em 2019, que já indicava o maior uso de poda no pós-colheita de 2018, com o emprego do esqueletamento/desponte, para zerar a safra seguinte, vai ter o uso ampliado desse tipo de poda, devido à desfolha adicional pelo stress hídrico.

Veja-se o exemplo de balanço hídrico em Varginha, que representa, em boa parte, a região Sul de MG, principal produtora de café arábica no país. De julho de 2017 a junho de 2018 choveu apenas 1100 mm, quando o normal histórico é de uma chuva anual de   1436   mm, portanto   24 % a menos neste último ano (ver tabela 1). Agora, em fins de julho, já se acumula um déficit de água de cerca de 100 mm, restando, ainda, pelo menos, mais 2-3 meses normais de pouca chuva, podendo, nessa condição, acumular déficit de 220- 300 mm até fins de setembro ou outubro/18.

Daí justifica-se o título dessa matéria. O clima que facilita a qualidade do café tende a reduzir a produtividade na safra seguinte.

Ainda é cedo para fazer previsões de prováveis perdas globais na safra cafeeira futura, em 2019, mas, pelo que vem acontecendo, o mínimo de redução provável, em relação à safra atual, seria de cerca de 10 milhões de sacas a menos. Uma maior redução dependerá da retomada das chuvas, se tardiamente ou mais cedo, em outubro/novembro ou em setembro. Por enquanto, as previsões existentes são de chuvas esparsas e fracas, que podem ocorrer na região cafeeira, que não mudam a situação nestes próximos meses.

Finalmente, resta esclarecer o por que destacamos o efeito da desfolha das plantas por stress, seja por carga alta ou por déficit de água. Isto se deve a que a grande parte das reservas dos cafeeiros, aquelas imprescindíveis ao pegamento da florada e à frutificação das plantas está concentrada na sua folhagem remanescente no pós-colheita.

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Fonte: Procafé

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