Reajuste do salário mínimo provoca alta nos custos de produção de café

Publicado em 19/04/2016 16:54
O maior impacto ocorreu nas propriedades com colheita manual, que demanda mais mão de obra, com elevação de 6,34%

Brasília (19/04/2016) – O reajuste do salário mínimo em 2016 impactou diretamente os custos de produção da cafeicultura brasileira, principalmente nas propriedades onde a colheita do café é manual. Apenas este item provocou altas no Custo Operacional Efetivo (COE), que engloba as despesas do dia a dia da atividade e o pró-labore, de 4,05%, em média, para a variedade arábica e 5,70% para o conilon, com o novo valor vigente desde janeiro, de R$ 880.

As informações são do boletim Ativos do Café, elaborado pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e Universidade Federal de Lavras (UFLA), com base em levantamentos de custo de produção nas principais regiões produtoras do país. Os maiores impactos foram observados nas propriedades que adotam o sistema manual de colheita, principalmente para o café arábica, cuja elevação média foi de 6,34%, ou R$ 27 a mais por saca de 60 quilos.

Segundo o estudo, o aumento do salário mínimo é apenas um dos fatores da alta do COE, que pode subir ainda mais com o atual momento político e econômico. “Devido a este cenário, e suas consequências sobre variáveis que interferem diretamente nos custos de produção, como a taxa de câmbio e os combustíveis, a possibilidade de novos acréscimos nos próximos meses não deve ser desconsiderada”, explica o levantamento.

Desta forma, CNA e UFLA orientam os produtores a gerenciar os custos de sua propriedade com maior critério, além de intensificar o controle do fluxo de caixa e rever a orçamentação do processo de produção de arábica. Para produção mecanizada, o impacto do salário mínimo foi de 2,29%, e para a semimecanizada, de 6,22%. Nas propriedades que adotam estes dois tipos de manejo, a demanda por mão de obra é inferior em relação ao sistema manual.

Na produção de conilon, a alta do COE causada apenas pelo reajuste nos salários dos funcionários foi de 5,7%, em média. O maior aumento constatado foi em Jaguaré (ES), de 5,95%, acréscimo de R$ 14,20/saca. Em Cacoal (RO), a elevação foi de 5,31%, e em Itabela (BA), de 4,68%, o que representou incrementos de R$ 10,29 e R$ 12,03 por saca, respectivamente.

Veja o boletim completo aqui.

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Fonte: CNA

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