DA REDAÇÃO: Climas extremos no planeta podem ser resultado das mudanças climáticas, segundo professor da USP
Enquanto o Brasil enfrenta temperaturas altas e uma seca histórica para o período, países do hemisfério norte registram as temperaturas mais baixas da história. De acordo com Tércio Ambrizzi, professor titular do IAG-USP, esses já são indícios das mudanças climáticas. “A população tem se desenvolvido, tem crescido, e nós temos utilizado muito mais enfaticamente todos os recursos de nosso planeta, de todas as formas possíveis, não só através do uso de água, como também de solo”.
Ambrizzi defende que, apesar das variações normais do clima ao longo da história, já é possível identificar os efeitos das atividades humanas no clima do planeta. “Existe, na atmosfera, uma variabilidade natural... Quando a gente estuda dados do passado, e a gente chama isso na meteorologia de paleoclima, o que se nota é que houve períodos no passado recente, de 5 mil a 10 mil anos, em que a atmosfera esteve mais quente, depois com períodos glaciais ela esfria, depois começa a aquecer novamente... Essa variabilidade natural existe, ninguém nunca discute isso. O que temos visto é uma aceleração deste aquecimento”.
O professor afirma que a suposta aceleração do aquecimento atmosférico começou no período da industrialização que, aliada ao aumento da população mundial, no início do século passado, aumentou a emissão de gases causadores do efeito estufa, como o óxido nitroso e o dióxido de carbono, ou CO2. “Esses gases sempre estiveram em nossa atmosfera e, na verdade, existe vida em nosso planeta porque esses gases estão lá... Mas nós, com nosso processo de evolução, temos contribuído para aumentá-los”.
Ao aumentar esses gases na atmosfera, segundo o professor, o calor no planeta aumenta. “O que temos visto ao longo desses últimos anos é o aumento intenso dos climas extremos... temos períodos muito quentes e períodos muito frios, períodos muitos chuvosos e outros muito secos”. Estes climas extremos, segundo Ambrizzi, comprovam o que as pesquisas já indicavam que seria a reação do clima.