OMS declara Zika vírus emergência de saúde pública global. Viagens ao Brasil não estão vetadas
GENEBRA/LONDRES (Reuters) - A Organização Mundial de Saúde (OMS) declarou nesta segunda-feira que o Zika vírus é uma emergência de saúde pública global, no momento em que a doença ligada a milhares de casos de microcefalia no Brasil se dissemina rapidamente.
A diretora-geral da OMS, Margaret Chan, disse a repórteres que é preciso uma resposta internacional coordenada, mas que não são necessárias restrições às viagens ou ao comércio.
A designação foi recomendada por um comitê de especialistas independentes da agência da Organização das Nações Unidas (ONU), após críticas sobre uma resposta hesitante até agora. A decisão deve ajudar a acelerar ações internacionais e de pesquisa.
A OMS disse na semana passada que o Zika vírus, transmitido pelo mosquito Aedes aegypti, estava se "espalhando de forma explosiva" e pode infectar até 4 milhões de pessoas nas Américas e 1,5 milhão no Brasil.
A agência foi criticada por reagir muito lentamente à epidemia do Ebola na África Ocidental, que matou mais de 10.000 pessoas, e prometeu melhorar em futuras crises de saúde global.
O comitê de emergência de regulamentações internacionais de saúde da OMS reúne especialistas em epidemiologia, saúde pública e doenças infecciosas das Américas, Europa, Ásia e África.
O Brasil relatou cerca de 4.000 casos suspeitos de microcefalia, uma má-formação cerebral em que as crianças nascem com cérebros menores do que o normal, que foi ligada ao Zika vírus, embora a conexão ainda não seja definitiva.
O ministro da Saúde, Marcelo Castro, disse à Reuters que a epidemia é pior do que se acreditava, já que em 80 por cento dos casos as pessoas infectadas não apresentam sintomas.[nE6N13E00I]
À medida que o vírus se espalha do Brasil, outros países nas Américas também provavelmente terão casos de bebês com microcefalia ligados ao Zika, segundo especialistas.
A Organização Pan-Americana da Saúde afirma que o Zika vírus já se espalhou em 24 países e territórios nas Américas.
Declaração da OMS convoca mundo a agir sobre Zika, diz diretor de centro dos EUA
CHICAGO (Reuters) - O Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC, na sigla em inglês) afirmou nesta segunda-feira que a declaração feita pela Organização Mundial da Saúde (OMS) do Zika como uma emergência global de saúde vai concentrar nova atenção e recursos para combater o vírus.
O diretor do CDC, Thomas Frieden, disse que a declaração "convoca o mundo a agir" sobre o Zika, um vírus transmitido pelo mosquito Aedes aegypti que foi ligado a casos de microcefalia em recém-nascidos no Brasil e que está se espalhando rapidamente pela América Latina.
"O CDC, ao lado de todo o governo dos Estados Unidos, está ativamente envolvido na resposta mundial ao Zika e trabalhando 24 horas por dia, 7 dias por semana para aprender mais sobre o vírus e proteger a saúde", disse Frieden em comunicado enviado por email à Reuters.
Na Folha: OMS declara emergência mundial pelo zika, mas não veta viagens ao Brasil
A OMS (Organização Mundial de Saúde) declarou emergência mundial por causa do vírus da zika nesta segunda (1°). A declaração ocorre no momento em que a doença se dissemina rapidamente e é ligada a milhares de casos de microcefalia no Brasil.
A designação foi recomendada por um comitê de especialistas independentes da agência da ONU, após críticas sobre uma resposta hesitante até agora. A decisão, que não veta viagens ao Brasil, deve ajudar a acelerar ações internacionais e de pesquisa.
Com mais de 1,5 milhão de contágios desde abril, o Brasil é o país mais afetado pelo vírus, seguido pela Colômbia, que no sábado anunciou mais de 20 mil casos, 2.000 deles em mulheres grávidas.
Embora os sintomas do vírus transmitido pelo mosquito Aedes aegypti sejam de escassa gravidade, surgiram indícios que o vinculam ao número excepcionalmente elevado de casos de bebês que nascem com microcefalia (má-formação do cérebro), particularmente no Brasil.
"Apesar de ainda não ter sido estabelecida uma relação causal entre o vírus zika e as más-formações congênitas e síndromes neurológicas, há fortes motivos para suspeitar de sua existência", afirmou na semana passada a diretora geral da OMS, Margaret Chan, ao anunciar a convocação de um Comitê de Emergência da agência da ONU.
MEDIDA PROVISÓRIA
Nesta segunda, a presidente Dilma Rousseff (PT) enviou medida provisória ao Congresso Nacional que autoriza agentes de saúde a entrarem de maneira forçada em propriedades privadas abandonadas ou fechadas para combater focos do mosquito Aedes aegypti, transmissor do vírus zika, da dengue e chikungunya.
A iniciativa, que foi antecipada pela Folha, foi publicada na edição desta segunda-feira (1°) do "Diário Oficial" da União e regulamenta as normas de acesso a imóveis privados em estados e municípios que já possuem legislação específica sobre o assunto.
O texto autoriza que autoridades federais, estaduais e municipais do SUS (Sistema Único de Saúde) ingressem de maneira forçada, com a ajuda se necessário de forças policiais, em imóveis públicos e particulares que forem designados e identificados com a possibilidade de presença de criadouros do mosquito.
Grávida de 20 anos é o segundo caso confirmado de zika em SP
Uma grávida de 20 anos moradora de Piracicaba, no interior de São Paulo, é o segundo caso confirmado de vírus da zika em gestantes no Estado este ano. O primeiro foi notificado em Bauru (a 329 km de São Paulo) no último dia 27.
De acordo com a prefeitura, a mulher apresentou manchas vermelhas pelo corpo -um dos sintomas da doença- na 28ª semana de gestação. Atualmente, ela está na 32ª semana e não tem mais o sintoma.
Ela fez um ultrassom e não foi identificada nenhuma anomalia na formação do crânio do bebê. A infecção por zika é uma das causas da microcefalia, que é a má-formação do cérebro do recém-nascido. Há casos em que o problema só é confirmado no final da gestação.
Segundo a prefeitura, a mãe será acompanhada pelo serviço público de saúde até o nascimento do bebê, que também terá acompanhamento. Não há no município casos de microcefalia relacionados à zika.
Ainda de acordo com a prefeitura, já foi feita uma ação de bloqueio em nove quarteirões ao redor da residência da paciente, inclusive com busca pelo mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, da zika e da chikungunya.
No fim de semana, o secretário de Estado da Saúde, David Uip, esteve em Campinas para participar de um mutirão de limpeza contra o mosquito e confirmou a existência dos dois casos do vírus da zika no Estado.
Em Bauru, a doença também foi confirmada em uma mulher grávida. É a terceira gestação da paciente. No ano passado, foram quatro casos confirmados de vírus da zika no Estado, sendo dois deles na região de Campinas.
De acordo com a Secretaria de Estado da Saúde, outros 17 casos suspeitos de vírus da zika estão sendo investigados em São Paulo.
EM VEJA:
Pesquisa mostra que 64% dos americanos irão cancelar viagens a áreas afetadas pelo zika
Uma pesquisa realizada pela empresa de gestão de risco de viagens On Call International constatou que 64% dos entrevistados americanos iriam cancelar sua viagem a países afetados pelo vírus zika. Os resultados têm como base uma pesquisa do Google Consumer com 1.934 consumidores nos Estados Unidos com 18 anos ou mais.
Entre as mulheres, 69% disseram que iriam cancelar os seus planos de viagem, de acordo com a pesquisa. O vírus zika transmitido por mosquito está presente em 23 países e territórios nas Américas. Brasil, o país mais atingido, relatou em torno de 4.000 casos da malformação congênita devastadora chamada microcefalia, que têm forte suspeita de estar relacionado com o zika.
Dilma e Obama acertam parceria para vacina contra o zika
Comitê Olímpico Internacional divulga cartilha contra o zika
Zika assusta a imprensa mundial: 'A Olimpíada sobrevive?'
Mulheres grávidas ou que possam engravidar dentro de um mês antes de visitar um país afetado pelo zika devem adiar seus planos de viagem para evitar a infecção, afirmou o chefe da área médica da On Call Internacional, Robert Wheeler, em comunicado.
Ásia - Os governos da Ásia emitiram alertas em uma tentativa de conter o avanço do zika, que rapidamente se espalha pela América Latina. Japão, Coreia do Sul, Malásia, Camboja, Austrália, Índia, Hong Kong e Vietnã estão entre as regiões que emitiram avisos para a população, principalmente mulheres grávidas. No Japão, o Ministério de Relações Exteriores pediu para que mulheres evitem viajar durante a gravidez para o Brasil e outros países afetados.
O governo também sugeriu para todos os viajantes o uso de roupas de mangas compridas e calças, repelentes e que evitem deixar baldes ou outros recipientes que possam acumular água, além de relatar às instituições médicas sobre o aparecimento de sintomas. As autoridades de saúde também pediram testes de pacientes suspeitos que voltarem de áreas afetadas.
Na Coreia do Sul, além do aviso para que mulheres grávidas evitem a região da América Central e do Sul, o governo irá multar médicos que não avisarem imediatamente as autoridades sobre pacientes infectados ou com sintomas. O Ministério de Saúde e Bem-Estar também incluiu o zika vírus entre as doenças infecciosas com ameaça para a saúde. Austrália, Malásia, Camboja, Hong Kong e Índia alertam a população a informar as autoridades sobre sintomas e pedem para que mulheres grávidas adiem viagens.
(Da redação)
O mundo se curva ao ‘Aedes aegypti’
O zika, transmitido pelo mosquito Aedes aegypti, avança no Brasil, espalha-se pelo mundo e provoca uma onda de alarmismo. A questão agora é colecionar mais evidências científicas que comprovem a relação do vírus com os casos de microcefalia
Um mosquito ameaça nocautear a orgulhosa civilização tecnológica do século XXI. Os autores de ficção imaginaram o mundo de joelhos diante de terroristas, de invasores do espaço, devolvido à Idade da Pedra por uma guerra nuclear total e até mesmo acossado pela progressão incontida de algum vírus misterioso... mas submetido a um mosquito? Isso não. Isso seria enredo de filme de terror de um tempo remoto da humanidade. No começo do século passado, a malária, transmitida por mosquitos, mandou para o hospital dez de cada 100 trabalhadores encarregados da construção do Canal do Panamá - e só oito saíam de lá com vida.
Agora, mais de 100 anos depois, um outro mosquito está levando o presidente americano Barack Obama a convocar reuniões de emergência na Casa Branca, em Washington, e, do lado de lá do oceano, tirando do sério outro senhor do mundo, o russo Vladimir Putin. "E agora nos vem uma porcaria da América Latina", disse Putin depois de ser informado sobre o potencial de destruição dos vírus transportados pelo mosquito Aedes aegypti. Obama exigiu de seus sábios a produção imediata de uma vacina contra o zika, o vírus mais temido transmitido pelo Aedes aegypti. Ouviu deles que, na melhor das hipóteses, uma vacina contra o zika levará três anos para estar em condições de ser usada em larga escala.
A semana culminou com um alerta da chinesa Margaret Chan, diretora-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS): "O explosivo avanço do zika vírus é motivo de preocupação, especialmente diante do possível elo entre a infecção durante a gravidez e o nascimento de bebês com microcefalia". Os governos de El Salvador, Colômbia, Jamaica, República Dominicana e Equador recomendaram às mulheres evitar engravidar até 2018. Marcelo Castro, ministro da Saúde do Brasil, foi bombardeado por se sair com sugestão semelhante há algumas semanas. Disse ele: "Torço para que as mulheres peguem zika antes da idade fértil". Uma vez contaminado pelo zika, o organismo é imunizado contra novas infecções. É uma vacina natural. Como reconheceu a presidente Dilma Rousseff: "Estamos perdendo a luta contra o mosquito".
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Em um mundo em que os avanços tecnológicos da medicina estão fazendo com que o número de pessoas que chegam com saúde aos 100 anos cresça rapidamente, é melancólico que a imunização contra o zika só esteja ao alcance por meio de uma pajelança, a exposição voluntária à picada do mosquito transmissor do vírus. Não é muito ousada a ideia de que em breve, nas avenidas elegantes das capitais mundiais, serão abertas clínicas de imunização contra o zika com suas criações de Aedes aegypti portadores do vírus. Nas luxuosas salas de recepção, mulheres jovens que planejam engravidar teclam em seus smartphones de última geração, enquanto esperam a vez de oferecer o braço para a picada do Aedes aegypti. Não poderá haver imagem mais dramática da rendição da humanidade ao inseto que ela, não conseguindo erradicá-lo, passar a criá-lo em cativeiro. O mosquito venceu.
Antes da vitória final, é provável que o mosquito possa saborear alguns triunfos localizados. Na mira doAedes aegypti está a Olimpíada do Rio de Janeiro. Seus organizadores, sem outra iniciativa mais efetiva, estão fazendo barricadas atrás da retórica, lembrando que os Jogos serão realizados em agosto, inverno no Brasil, quando o clima mais seco e menos quente inibe a presença do mosquito. VEJA.com teve acesso com exclusividade ao memorando do Comitê Olímpico Internacional (COI), distribuído às confederações nacionais, em que reafirma a adequação do Rio de Janeiro para sediar os Jogos, desde que os visitantes usem "camisa de mangas compridas e calça", especialmente nos períodos da manhã e da tarde. Para os atletas, essa recomendação é inviável e, portanto, inútil. Para quem vai apenas assistir às provas e aos jogos, é possível segui-la, ainda que com grande desconforto. Mesmo no inverno, com média história de 24 graus, a temperatura no Rio de Janeiro em agosto supera facilmente os 30 graus. No ano passado, houve dias com 34 graus e um dia com inacreditáveis 37 graus. O COI recomenda também às mulheres que pretendem ficar grávidas "discutir com o médico seus planos de viagem, para avaliar o risco de infecção". Até novembro do ano passado, o zika, aerotransportado pelo mosquito, parecia ser um risco apenas para a população do Brasil. Na última semana, como mostram as manchetes dos principais jornais das grandes capitais mundiais, o zika atingiu o status de ameaça planetária real e presente - posição que já foi ocupada no passado pela aids, pela doença da vaca louca, pela gripe aviária e pelo ebola.
A mortalidade do zika vírus é pequena. Ele só mata pessoas infectadas que já estiverem bastante debilitadas por outras moléstias graves.Por que então o mundo está em guerra total contra o mosquito que o transmite? A resposta é encontrada na correlação existente entre a infecção pelo zika e o nascimento de bebês com sérios defeitos, principalmente a microcefalia, a atrofia cerebral. Do ponto de vista rigorosamente científico, não existem evidências irrefutáveis de que o zika vírus tenha sido a causa única de ocorrências de microcefalia, mesmo quando sua presença foi detectada ao mesmo tempo na gestante e no feto. Tanto a infecção pelo zika quanto a microcefalia são fenômenos imensamente variáveis. A infecção pelo zika em uma mulher grávida pode provocar as esperadas manchas vermelhas na pele, febre baixa e dor de cabeça e, mesmo assim, ser branda, sem produzir danos neurológicos no bebê em gestação. Em casos assintomáticos, mesmo que a própria gestante não saiba que foi infectada pelo mosquito, o zika pode atuar agressivamente no processo de gestação. A microcefalia, por sua vez, é uma condição com inúmeras causas e sintomas. Ela pode ser motivada por problemas genéticos, por uso de drogas ou álcool pela gestante, por exposição a substâncias químicas como o mercúrio, por outras infecções (rubéola, citomegalovírus, varicela) e até por uma dieta pobre em nutrientes e vitaminas durante a gravidez. A microcefalia pode ser fatal para o recém-nascido, pode impedir definitivamente o desenvolvimento cerebral ou apenas atrasá-lo. Diz Bruce Aylward, chefe do Departamento de Surtos da OMS: "O que temos hoje é a suspeita de associação entre o zika e a microcefalia, não a comprovação de que esse vírus é causa da condição".
Um famoso estudo apoiado pelo Centro de Controle de Doenças (CDC), dos Estados Unidos, divulgado em janeiro passado, e que norteia a linha de conduta mundial em torno do zika, chega perto de estabelecer a relação de causalidade entre a infecção viral e a microcefalia. O trabalho, porém, não fecha questão e recomenda a continuação das pesquisas a respeito. Diz ele: "São necessários mais estudos para confirmar a associação entre a microcefalia e o vírus zika durante a gestação e compreender outras consequências da gravidez que possam ser relacionadas à infecção". O trabalho teve a participação de pesquisadores brasileiros como os da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, da Fundação Oswaldo Cruz, do Rio de Janeiro, e da Universidade Estadual de Campinas. Segundo o estudo, foi encontrado material genético do zika em duas amostras do líquido amniótico de mulheres grávidas de fetos microcéfalos e no tecido cerebral de outras duas crianças com microcefalia, que morreram logo depois do nascimento. As mães, brasileiras, contaram ter tido sintomas comumente relacionados à infecção pelo zika vírus durante a gravidez. Poucas semanas antes desse levantamento, o Instituto Carlos Chagas, da Fiocruz Paraná, havia confirmado a capacidade do zika de atravessar a placenta durante a gestação.
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Errei, mas não paguei o mico. Tanto é assim que eu posso corrigir (Reinaldo Azevedo)
Olhem aqui, vi a página do governo com aqueles mosquitos que estão voando lá. Achei que fosse uma invasão, ué, coisa de hacker. Escrevi a respeito. É claro que não vou eliminar aquele post. Só acrescentei lá a devida advertência de que está errada a informação de que se trata de invasão.
Mas não. É política de marketing do governo. Agora eles estão naquela de “vamos assumir nossos problemas” — desde, claro!, que fique evidente que o dito-cujo “nos” pertence e que eles não têm nada com isso.
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Mais: como se nota, há a sugestão mais do que evidente de que o Aedes Aegypti só se espalhou por culpa desses brasileiros imprudentes.
Sobrevoe bairros de ocupação antiga que estejam passando por transformações econômico-urbanísticas, como o Ipiranga, por exemplo. Vejam lá o que há de propriedades abandonadas, indústrias e estabelecimentos comerciais fechados. As respectivas caixas d’água, muitas vezes, estão lá, sem tampa, só à espera da chuva.
Uma política nacional a respeito do assunto, que está com 20 anos de atraso, deveria ter procedimentos definidos para isso. Mas não! Assim como já fomos convidados a ser os “fiscais do Sarney” no Plano Cruzado, vamos ser o “Fiscais da Dilma” no caso do Aedes aegypti.
Por mim, tudo bem a página oficial do governo vir decorada com mosquito, nessa fase do marketing agressivo-engraçadinho.
Vai ver é o último sinal de humanidade no governo Dilma: um pouco de autoconsciência ou de consciência culpada, ainda que involuntária.
Dilma tem um destino para nós: passar as tardes de calor sem fazer sexo — para zerar o risco da reprodução —, caçando mosquitos.
Tire suas dúvidas sobre a doença, transmitida pelo Aedes aegypti
em O GLOBO
A velocidade com que o zika se propaga e a associação com casos de microcefalia fizeram a Organização Mundial de Saúde (OMS) considerar a epidemia explosiva. Especialistas dizem que há motivo para preocupação, mas não para pânico. O zika tem se mostrado muito menos letal que a dengue, que mata entre 25 mil e 50 mil pessoas por ano no mundo. Pois, a infecção por zika é assintomática ou branda na maioria dos casos. Porém, a doença já está instalada no Brasil e para combatê-la é essencial erradicar o mosquito transmissor, o Aedes aegypti. Para isso, é fundamental que a população colabore.
O que é zika?
É um flavivírus, parente de dengue e do chicungunha. E como eles, causa doenças do mesmo nome.
A maioria dos casos é branda. E cerca de apenas uma em cada cinco pessoas que contrai o vírus apresenta sintomas.
Quais as diferenças entre as doenças?
Quais as melhores formas de proteção?
O mais importante é eliminar os criadouros. De 80% a 90% dos criadouros do mosquito estão dentro de casa.
O que deve fazer quem tem sintomas da doença?
Pessoas com sintomas devem repousar e beber muita água e outras bebidas, para evitar desidratação. Não existe tratamento específico. Porém, o Ministério da Saúde recomenda procurar um serviço de saúde para atendimento e tratar os sintomas.
Apesar de não haver ainda contraindicação específica, por precaução, é importante não tomar medicamentos à base de ácido acetil salicílico e anti-inflamatórios, como aspirina e AAS, e utilizar apenas paracetamol ou dipirona. Não está claro se a zika pode causar hemorragias, como a dengue.
Grávidas devem fazer pré-natal qualificado e relatar qualquer alteração percebida durante a gestação.
Como é o diagnóstico?
Não existe ainda exame específico para dizer se uma pessoa teve zika. Na maioria das vezes, o diagnóstico é clínico, pela avaliação dos sintomas. O teste de PCR só indica a presença do material genético do vírus, se for realizado durante o período em que a pessoa está doente. Por isso, é preciso um teste sorológico para zika, que identifique se uma pessoa tem anticorpos específicos, mostrando assim se ela já teve ou não o vírus.
Por que o Aedes aegypti é tão perigoso?
O Aedes aegypti é o único transmissor?
O mosquito é o principal vetor do vírus. Mas, em casos raros e ainda não bem estudados, ele pode ser transmitido por sêmen, transfusão de sangue e leite materno.
O zika causa microcefalia?
Há uma associação entre a maior incidência de casos de zika e o aumento dos registros de microcefalia. O vírus também foi encontrado na placenta, no líquido amniótico e no cérebro de fetos com microcefalia. Porém, uma das metas é justamente comprovar que o vírus é mesmo a causa da microcefalia e outras complicações.
O que mais o vírus causa?
O zika já foi associado a síndromes neurológicas, como de Guillan-Barré em adultos, e a uma série de malformações em fetos.
Especialistas em microcefalia alertam que esse é o problema mais evidente, mas não o único. O estudo "Zika virus intrauterine infection causes fetal brain abnormality and microcephaly: tip of the iceberg?" ("Infecção intrauterina pelo vírus zika causa anomalia cerebral e microcefalia: a ponta do iceberg?"), publicado na revista científica "Ultrasound in Obstetrics & Gynecology", diz que toda essa geração de bebês que nasce agora precisa de acompanhamento médico.
A zika pode, em tese, provocar uma série de outros distúrbios de desenvolvimento, como surdez, epilepsia, problemas de cognição, de fala, motores, que não são aparentes no recém-nascido. A criança pode não ser microcéfala e ter distúrbios.
De onde vem o zika e como se espalhou?
Não se sabe quantos casos há exatamente no Brasil porque não há notificação obrigatória nem testes específicos. A estimativa é de 400 mil a 1,5 milhão.
A OMS estima que em um ano o Brasil terá mais 1,5 milhão de casos e as Américas até 4 milhões.
Quanto tempo demorará até termos uma vacina?
Nem tão cedo haverá uma vacina capaz de prevenir o zika. Análise publicada na revista científica "Journal of the American Medical Association" (Jama, na sigla em inglês), uma das mais importantes revistas médicas do mundo, estima que o desenvolvimento de uma vacina contra a zika levará de três anos a dez anos, no mínimo. Cientistas brasileiros, americanos e de outros países trabalham em uma, mas como o vírus era pouquíssimo estudado, os trabalhos estão no início.
Para saber mais:
Ministério da Saúde
Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA (em inglês)
Organização Mundial de Saúde
Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz)
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